Demonstrações financeiras em dolares do 1º trimestre mostram os problemas da Petrobrás

A economia mundial passa por fortes modificações que logo chegarão no Brasil. As políticas neoliberais de globalização podem chegar ao fim. O Brasil tende a incrementar seu alinhamento com a economia chinesa. Tais modificações afetarão a Petrobrás. Esperamos que venham logo



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INTRODUÇÃO  

Recentemente publiquei artigo sobre os resultados da Petrobrás no 1º trimestre de 2020 (não auditados). 

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http://blognarua.blog.br/?page_id=632 

Naquele momento a empresa só havia publicado seus números em reais e me limitei a analisar o que mais chamava a atenção de todos: as absurdas reduções dos valores recuperáveis dos ativos ( impairments) apropriadas no período.

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Nesta quinta-feira (21 de maio) a companhia publicou seus resultados apurados em dólares que, na minha opinião, facilita o entendimento e melhora a possibilidade de comparativos com dados históricos. 

Sendo assim procurei analisar os principais aspectos  

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SITUAÇÃO ECONÔMICA 

O prejuízo de US$ 9,7 bilhões no trimestre, ante um lucro de US$ 2 bilhões no 4º trimestre de 2019, foi causado principalmente por impairments de US$ 13,4 bilhões (US$ 2,2 bilhões no 4º tri/2019). Os impairments causaram um efeito positivo de US$ 3,3 bilhões no Imposto de Renda e na Contribuição Social diferidos. Entretanto estes efeitos (impairments e impostos) são efêmeros, pois logo serão revertidos, em parte ou no todo, com a adoção de novas premissas. 

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A receita caiu 14% em relação ao 4º tri/2019, somando US$ 17,1 bilhões, apesar do significativo aumento do volume exportado, causado pela realização de exportações que ficaram em andamento (em estoque) no final de 2019. A queda de 21% no preço do Brent superou os aspectos positivos. 

O Lucro Bruto caiu para US$ 7,3 bilhões, ante US$ 9 bilhões no 4º tri/2019. 

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Outro aspecto relevante foi o Resultado Financeiro negativo em US$ 4,6 bilhões, ante US$ 1,6 bilhões no 4º tri/2019, causado por variações cambiais, apesar da adoção de Hedge Accounting pela companhia.

A expectativa para o 2º tri/2020 e para o restante do exercício é de queda de receita e do lucro bruto, em função de redução no preço do Brent (US$ 50 no 1º tri) e no consumo de derivados no mercado interno. 

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O prejuízo acumulado poderá ser reduzido com estornos de impairments, ou seja, ajustando as perdas futuras declaradas de modo exagerado nesse 1º trimestre. 

SITUAÇÃO FINANCEIRA 

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Sendo que os impairments são registros econômicos/contábeis, que não afetam a situação financeira, sob este aspecto (financeiro) a companhia apresentou melhoras em relação ao 4º tri/2019. 

Como sempre, a empresa mostrou sua capacidade de geração de caixa, com a Geração Operacional de Caixa alcançando US$ 7,8 bilhões no 1º tri/2020, ligeiramente superior aos US$ 7,5 bilhões obtidos no 4º tri/2019. 

A Liquidez Corrente ( divisão do ativo corrente pelo passivo corrente ) melhorou bastante chegando a 1,21, ante 0,97 no 4º tri/2019. Mesmo assim continua longe dos registros históricos da Petrobrás sempre acima de 1,5. 

O saldo de caixa mais do que dobrou saindo de US$ 7,4 bilhões no 4º tri/2019 para US$ 15,5 bilhões no 1º tri/2020, devido basicamente a uma captação de US$ 10 bilhões feita pela empresa no período.  

Mas a expectativa para o 2º tri/2020 e o restante do exercício é de queda da Geração Operacional de Caixa causada pela redução no preço do Brent e no consumo interno de derivados.  

SITUAÇÃO PATRIMONIAL 

O Patrimônio Líquido da Petrobrás não registra os valores de campos do pré-sal adquiridos pela companhia em regime de partilha, como Libra (2013) e o recente excedente da cessão onerosa (2019). Isto faz com que o valor patrimonial das ações da companhia esteja completamente defasado em relação à realidade. Uma nota explicativa com a estimativa dos valores deveria ser apresentada pela empresa. 

Os desembolsos com investimentos somaram apenas US$ 1,9 bilhões no 1º tri/2020 contra US$ 3,2 bilhões ( fora bônus do leilão do excedente) no 4º tri de 2019, muito aquém das possibilidades e das necessidades de uma empresa como a Petrobrás

CONCLUSÃO 

O exercício de 2020 será negativo para as Petrobrás sob diversos aspectos. Infelizmente, aproveitando-se desta situação, a administração da empresa vem, injustificavelmente, tomando atitudes agressivas em relação aos seus próprios funcionários e à sociedade brasileira de modo geral. 

Foi implantada uma política de RH baseada na coação, no assédio e no terrorismo sem paralelo na história da empresa.

Constantes ataques às conquistas dos trabalhadores, como no caso da AMS, mostrando a incapacidade administrativa da própria empresa. 

As expressivas reduções dos investimentos em pesquisa feitos nos últimos anos não foram suficientes, para a administração. Agora querem eliminar tudo como mostra o artigo “A lógica do caixa e do desmonte” copiado abaixo, que ressalta: “Para preservar seu caixa diante da crise deflagrada pela pandemia da convid-19, a Petrobrás decidiu suspender parcelas nos próximos três meses de diversos projetos em andamento em 247 laboratórios nas universidades conveniadas” 

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/05/21/internas_opiniao,857040/artigo-a-logica-do-caixa-e-o-desmonte.shtml  

A economia mundial passa por fortes modificações que logo chegarão no Brasil. As políticas neoliberais de globalização podem chegar ao fim . O Brasil tende a incrementar seu alinhamento com a economia chinesa. 

Tais modificações afetarão a Petrobrás. Esperamos que venham logo.

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