De tanto consultarem o VAR, juízes de campo podem acabar sem emprego

"Estão conseguindo acabar até com a maior alegria do futebol, o momento supremo do grito de gol. O grito fica preso na garganta por uma eternidade, até os juízes do campo e da cabine do VAR entrarem num acordo (...) Deve ter gente faturando alto com isso, mas qual a vantagem para os torcedores que pagam ingresso?", questiona o Jornalista pela Democracia Ricardo Kotscho

VAR, o árbitro de vídeo.
VAR, o árbitro de vídeo. (Foto: var)


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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para os Jornalistas pela Democracia 

Estão conseguindo acabar até com a maior alegria do futebol, o momento supremo do grito de gol.

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O grito fica preso na garganta por uma eternidade, até os juízes do campo e da cabine do VAR entrarem num acordo.

Aí, qualquer que seja a decisão, já não tem mais a mesma graça. É uma emoção retardada pela tecnologia.

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Deve ter gente faturando alto com isso, mas qual a vantagem para os torcedores que pagam ingresso?

Para que servem os juízes e bandeirinhas, que ficam correndo de um lado para outro, mas já não decidem nem se houve ou não impedimento?

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Basta colocar o resultado do VAR no telão dos estádios, e segue o jogo, como diz o Milton Leite.

Reportagem da Folha deste domingo revela que “VAR faz acréscimos chegarem a quase 9 minutos no Brasileiro”.

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São 9 minutos angustiantes que tiram a graça do futebol e não costumam ser descontados no final dos jogos.

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Quem resumiu bem este estorvo, que inventaram em nome da modernidade, foi o Arnaldo Cezar Coelho, o melhor juiz que já tivemos antes do maldito VAR:

“Os árbitros perderam sua função. Você pode botar um gandula de bandeirinha”.

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Eles ainda não perceberam que logo, logo vão perder seus empregos, por se tornarem dispensáveis. Restarão apenas os “árbitros de vídeo”

Arnaldo faz ainda uma grave denúncia sobre o que está por trás desta “revolução tecnológica” do futebol:

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“Também não pode ser ignorado o negócio VAR. São três empresas no mundo que fazem (…) Tudo isso custa caro. Os mesmos dirigentes que estão hoje na Fifa e decidiram implantar a arbitragem de vídeo eram contra quando estavam na Uefa (…) Da forma como está, o VAR é um desastre”.

Caberia perguntar por quais motivo$ os dirigentes da Uefa, agora na Fifa, mudaram de ideia sobre o VAR.

Só falta agora implantarem o VAR nos desfiles das escolas de samba, nos concursos de bandas e de miss, nas provas do Enem, e em outras competições.

Que se cuidem os jurados e examinadores porque os empregos deles também correm riscos.

No mundo maravilhoso do VAR, o erro humano não existirá mais, e assim não teremos mais o que debater depois dos jogos de domingo, não haverá mais mesas redondas. Vão discutir o que?

Pena que ainda não inventaram um VAR para decidir quem está certo no Fla-Flu da política. Assim acabaria esta zona nas redes sociais.

Se o VAR decidiu, tá decidido, não tem mais conversa.

E quem vai controlar esse VAR? O Moro? Mas ele não é mais juiz…

Bom domingo.

Vida que segue.

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