Crianças sob intervenção

"Implantar uma intervenção federal é constitucional, porque a constituição a prevê. Mas, atenção, o texto diz apenas que é nomeado um interventor em lugar do governador, cujos poderes não estão definidos, dando brecha a que o presidente da República os defina e, como está no decreto presidencial, Temer deu ao general Braga o papel de interventor-ditador", diz o colunista Alex Solnik, ao condenar a revista de crianças por soldados do Exército no Rio de Janeiro; "A intervenção começa dentro do estado de direito, mas, ao ser colocada em prática, só funciona em condições de estado de exceção", diz ele

"Implantar uma intervenção federal é constitucional, porque a constituição a prevê. Mas, atenção, o texto diz apenas que é nomeado um interventor em lugar do governador, cujos poderes não estão definidos, dando brecha a que o presidente da República os defina e, como está no decreto presidencial, Temer deu ao general Braga o papel de interventor-ditador", diz o colunista Alex Solnik, ao condenar a revista de crianças por soldados do Exército no Rio de Janeiro; "A intervenção começa dentro do estado de direito, mas, ao ser colocada em prática, só funciona em condições de estado de exceção", diz ele
"Implantar uma intervenção federal é constitucional, porque a constituição a prevê. Mas, atenção, o texto diz apenas que é nomeado um interventor em lugar do governador, cujos poderes não estão definidos, dando brecha a que o presidente da República os defina e, como está no decreto presidencial, Temer deu ao general Braga o papel de interventor-ditador", diz o colunista Alex Solnik, ao condenar a revista de crianças por soldados do Exército no Rio de Janeiro; "A intervenção começa dentro do estado de direito, mas, ao ser colocada em prática, só funciona em condições de estado de exceção", diz ele (Foto: Alex Solnik)


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  Imagine o leitor ou a leitora a seguinte situação. O seu filho ou filha de 7, 8 ou 9 anos, ao chegar à escola, na fila de entrada na classe é submetido a revista sob a mira de armas pesadas de soldados do Exército que vasculham sua mochila.

   Ao saber disso, você, provavelmente, subiria nas tamancas, chamaria o síndico, daria uma bronca no diretor, escreveria cartas aos jornais, acharia o fim do mundo e convocaria todas as associações de direitos humanos da terra.

   Pois é exatamente isso o que está acontecendo no Rio de Janeiro sob intervenção, como se vê na foto de capa da “Folha de hoje, assinada por Léo Correa, da Associated Press, em que uma menina com expressão de medo, perplexidade e interrogação contempla um soldado que participa da revista das mochilas, com uma metralhadora em primeiro plano, na escola da favela da zona Norte, como explica a legenda.

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   Ela deve estar se perguntando – e eu também me pergunto – por que os soldados, em vez de protege-la dos bandidos e das balas perdidas estão tomando-a por suspeita.

   Além do absurdo, da crueldade, da falta de respeito às crianças, que vão à escola para estudar, além da transgressão a todo e qualquer estatuto da criança e tudo o mais, o que eles esperam encontrar dentro da mochila de uma criança? Uma Ak-45 desmontada? Uma bomba relógio? Um punhado de cocaína que o pai mandou ao professor?

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   Crianças pobres, que se alimentam mal, moram mal, estudam em escola precária e ainda são submetidas a esse vexame adicional, a essa arbitrariedade que não tem outra explicação, a não ser fomentar o medo.

   Pessoas nas quais se incute o medo 

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   Implantar uma intervenção federal é constitucional, porque a constituição a prevê. Mas, atenção, o texto diz apenas que é nomeado um interventor em lugar do governador, cujos poderes não estão definidos, dando brecha a que o presidente da República os defina e, como está no decreto presidencial, Temer deu ao general Braga o papel de interventor-ditador.

   A intervenção começa dentro do estado de direito, mas, ao ser colocada em prática, só funciona em condições de estado de exceção.

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   Tal como acontece, mais radicalmente ainda, no estado de sítio.

 

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