Coxinhas e mortadelas precisam caminhar juntos
Vamos nos unir nas ruas, numa onda cívica nacional, mortadelas e coxinhas, no dia em que o Senado sacramentar a morte política da presidente. E vamos dar um recado muito claro para deputados, senadores e também para o juiz Sérgio Moro e ao ministro Gilmar Mendes: O TEMER TAMBÉM TEM QUE CAIR!
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Alegria de pobre dura pouco. A de jornalista pobre, menos ainda. Estava feliz da vida com a repercussão do meu último artigo, onde afirmei que a ruptura da classe média com o governo do PT ocorreu no dia da promulgação da lei que regulamentou os direitos trabalhistas das empregadas domésticas. Sempre respondo aos comentários, colocando no centro do debate algo cada vez mais raro nesses tempos de intolerância: o diálogo civilizado. É impressionante como a agressividade desaparece, quando o argumento inteligente e o respeito ao contraditório preponderam sobre o destempero e a raiva. No texto "No dia em que nos tornamos comunistas" aconteceu algo incomum. Fugindo completamente ao tema proposto, dois leitores passaram a se agredir mutuamente, como numa rinha de galos, disparando o contador de comentários. Tornei-me coadjuvante dentro do meu próprio espaço.
Deixei o circo pegar fogo. Não critiquei nenhum dos lados e aguardei que ambos caíssem por exaustão. Como duas pessoas que nunca se viram na vida passam a trocar graves ofensas, sem se dar conta de que estão no mesmo lado da moeda? O desemprego, os impostos elevados sem a devida contrapartida em serviços públicos, a mensalidade escolar, o plano de saúde, a prestação da casa própria, o preço da gasolina, as reformas que Temer quer aprovar para massacrar ainda mais os trabalhadores e aposentados, tudo isso não faz parte de uma pauta comum de problemas que afligem a todos os brasileiros? Será que ninguém percebe o ridículo de estarmos brigando para atender aos interesses de Edson Lobão, José Sarney, Romero Jucá, Jáder Barbalho, José Serra, Aécio Neves, Renan Calheiros, Michel Temer, o chorume da nossa representação política, onde o PT infelizmente também foi chafurdar?
Qual o sentido de duas manifestações sociais contrárias, agora que ficou claro que a trupe que dá sustentação política a Michel Temer está tão ou mais comprometida com a corrupção investigada na Lava Jato? Não existe essa de coxinha X mortadela. Isso é um divisionismo patrocinado pela elite econômica brasileira, dominada por doze famílias que controlam a mídia nacional, banqueiros gananciosos, industriais exploradores de mão de obra, e uma casta política corrupta, que se perpetua à custa da ignorância e da miséria do povo brasileiro. São eles que financiam a cizânia, criando lideranças miojo, que em três minutos já estão prontas para distribuir mentiras pelas redes sociais. Desafio qualquer um a provar que o Brasil esteve vulnerável ao comunismo, durante os três mandatos do PT. Enquanto durou a prosperidade econômica, fomos mais Miami do que Cuba.
Entidades fakes criadas para difundir mentiras pela Internet, um sujeito raso que ganhava a vida fazendo michê, a jornalista que perdeu o emprego e se sustenta agora como blogueira remunerada pela direita, ninguém ali tem engajamento ou compromisso ideológico por um país limpo. São todos hipócritas defendendo seus pequenos interesses burgueses. Qual o sentido racional de seguir esses luas pretas? Dilma Rousseff vai cair, eles vão comemorar, provavelmente ganharão gordas recompensas na forma de benesses do governo federal. E você? O que você vai ganhar com isso?
Não conheço outro momento na História do Brasil, em que as estruturas políticas brasileiras foram duramente abaladas, igual ao levante popular de 2013, iniciado por causa do aumento das passagens de ônibus. Ali, naquele momento, deputados, senadores, governadores e a própria presidência da República se amedrontaram com a força das ruas. O Congresso e o governo federal se apressaram para votar leis de combate à corrupção, prefeitos e governadores voltaram atrás na autorização do reajuste das tarifas de transporte público. Mesmo assim, o povo queria mais.
Mas a elite brasileira possui meios e recursos para reagir, e em situações como essa a saída é o emprego da violência. Não tenho a menor dúvida de que esses mascarados, chamados de Black Blocs, fizeram o jogo do establishment. Foram eles, juntos com militares e policiais infiltrados nas manifestações pacíficas, que dissolveram o movimento que marchava para as transformações verdadeiras que a nação desejava.
O destino de Dilma já está traçado, não tem volta. Ponto para quem desejou esse desfecho. Mas o que virá no dia seguinte à cassação, com certeza não é motivo para comemoração. Então, fica aqui a proposta. Vamos nos unir nas ruas, numa onda cívica nacional, mortadelas e coxinhas, no dia em que o Senado sacramentar a morte política da presidente. E vamos dar um recado muito claro para deputados, senadores e também para o juiz Sérgio Moro e ao ministro Gilmar Mendes: O TEMER TAMBÉM TEM QUE CAIR!
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