Combate à corrupção x seletividade

O combate à corrupção deve prosseguir e ser intensificado, mas não é justo que os grandes veículos de comunicação e que setores do Poder Judiciário atuem com tanta parcialidade e seletividade



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Combater a corrupção deve ser uma tarefa de toda a sociedade e de todos os poderes da República. Com base na Constituição de 1988 e nos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, temos o direito e o dever de exercitar o controle social, cobrando do poder público e da sociedade política transparência e responsabilidade.

Em nossa história, os primeiros registros de corrupção remontam ao Brasil Colônia, o que deve servir para compreendermos que se trata de um problema estrutural, de longa data, mas nunca para naturalizar o problema. Uma sociedade sem acesso aos direitos da cidadania tem baixíssima capacidade de exercitar o controle social e combater a corrupção, pois lhe falta educação, acesso à informação e capacidade de mobilização.

No passado recente, um Procurador Geral da República ficou conhecido como engavetador geral, pois o então presidente impedia que as denúncias fossem apuradas. Todos nós sabemos que o Programa Nacional de Desestatização implementado por FHC foi recheado de corrupção, como a venda criminosa da Cia. Vale do Rio Doce; sabemos que a emenda à Constituição que garantiu a FHC o direito de se candidatar à reeleição foi aprovada com forte intervenção do poder econômico no Congresso. Mas infelizmente nada foi apurado.

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Foi durante os governos liderados pelo PT que aumentamos as condições da sociedade brasileira combater a corrupção. Por um lado, através da ampliação do acesso aos direitos da cidadania. Por outro lado, construindo mecanismos extremamente importantes de controle social, como a Lei 10.683/03, que elevou a Controladoria Geral da União ao status de ministério; a implantação do Portal da Transparência, reconhecido pela ONU como uma das cinco melhores práticas de prevenção à corrupção no mundo; o fortalecimento de instâncias como a Advocacia Geral da União, Ministério Público e Polícia Federal; e a Lei 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação.

Além disso, o PT participou ativamente da campanha por uma reforma política de caráter democrático, ao lado de entidades como a OAB e a CNBB, defendendo o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, que é reconhecido como um dos principais motores da corrupção em nosso país, enquanto muitos daqueles que hoje dizem combater a corrupção defendiam a manutenção do financiamento empresarial de campanhas.

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Se hoje a corrupção está escancarada nos noticiários, foram os governos liderados pelo PT que criaram as condições para que os crimes fossem investigados e os responsáveis fossem punidos, independente da sigla partidária dos envolvidos.

O combate à corrupção deve prosseguir e ser intensificado, mas não é justo que os grandes veículos de comunicação e que setores do Poder Judiciário atuem com tanta parcialidade e seletividade. Não é justo que as denúncias envolvendo lideranças do PSDB e de outros partidos de oposição sejam abafadas. Não é justo que a principal liderança do povo brasileiro seja conduzida coercitivamente para prestar esclarecimentos sem que tenha se negado a colaborar voluntariamente, sob os holofotes dos grandes veículos de comunicação, enquanto o presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, que foi citado em diversas delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato, não é sequer intimado a prestar esclarecimentos à justiça. Não é justo que promotores do Ministério Público de São Paulo reivindiquem a prisão preventiva de Lula pelo simples fato dele ser ex-presidente da República e ser do PT, três dias antes das manifestações em defesa do impeachment, sem que as denúncias sejam apuradas e julgadas procedentes pelo poder judiciário, enquanto Eduardo Cunha continua exercendo o cargo de presidente da Câmara dos Deputados mesmo após o STF julgar procedentes as denúncias da Procuradoria Geral da República contra Cunha.

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O combate à corrupção não pode se transformar em perseguição política, sob pena de sepultarmos a democracia em benefício de um Estado de Exceção Jurídico. Sabemos perfeitamente que a estratégia deles é interromper o governo da presidenta Dilma, criminalizar o PT e desmoralizar o ex-presidente Lula, mas seguiremos na luta contra o golpe e em defesa da democracia brasileira. Eles não serão capazes de diminuir o carinho que a maioria do povo brasileiro tem pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O maior crime que Lula cometeu foi melhorar a vida do povo brasileiro e permitir que o povo brasileiro voltasse a acreditar no Brasil.

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