Cerveja, picanha e pensamento crítico contra o neoliberalismo para o Brasil voltar a ser feliz

"Na luta pela emancipação da população brasileira, derrotar o bolsonarismo é somente o primeiro e mais urgente passo", diz Cesar Calejon

(Foto: Ricardo Stuckert)


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Por Cesar Calejon, para o 247

Em ampla medida, o bolsonarismo é a expressão mais aguda da racionalidade neoliberal que assola todo o Ocidente, sobretudo, a partir da década de 1980. Trata-se de um modelo de sociabilidade que organiza os arranjos sociais com base na competição irrestrita e que produz, consequentemente, a desigualdade sem limites. Neste contexto, valores éticos e humanistas são percebidos como empecilhos à expansão do capital. 

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Conforme definem os autores Dardot e Laval, “(...) o neoliberalismo (...) é, em primeiro lugar e fundamentalmente, uma racionalidade que, como tal, tende a estruturar e organizar não apenas a ação dos governantes, mas até a própria conduta dos governados. (...). O neoliberalismo pode ser definido como o conjunto de discursos, práticas e dispositivos que determinam um novo modo de governo dos homens segundo o princípio universal da concorrência”.  

Colaborando com o meu segundo livro, que se chama Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 (Contracorrente, 2021), a brilhante economista Simone Deos acrescenta que “(...) o neoliberalismo, assim, deve ser apreendido como uma força criadora e modernizadora. Como consequência, (...) o objeto da política neoliberal, por excelência, são as instituições e atividades que se situam às margens do mercado: as famílias, as universidades, as administrações públicas e os sindicatos. O objetivo é ou introduzi-las no mercado, ou reinventá-las, ou mesmo neutralizá-las e desmobilizá-las”. 

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Neste contexto, na luta pela emancipação da população brasileira, derrotar o bolsonarismo é somente o primeiro e mais urgente passo rumo a um novo modelo de sociabilidade que seja capaz de produzir um arranjo social menos injusto e desigual. Faz-se necessário o combate geracional à racionalidade neoliberal de forma mais ampla. Assim, o Brasil, para além da cerveja e do churrasco, precisa de pensamento crítico para atingir todo o seu potencial e ser feliz, de fato. 

Conforme a minha interpretação, o pensamento crítico não implica fazer proselitismo político ou estimular a adesão partidária e ideológica de nenhuma natureza, mas deve operar segundo três dimensões fundamentais.  

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A primeira diz respeito à compreensão de como determinado mecanismo ou dinâmica funcionam. A segunda trata de entender qual é a posição/papel do indivíduo neste funcionamento. A terceira e última está relacionada com a capacidade de promover a emancipação das camadas mais empobrecidas da população, com base no que foi ponderado durante as duas etapas anteriores.

Ou seja, ao assumir o comando do país novamente em 2023, o campo progressista precisa ser capaz de repensar diferentes searas da vida social da nação no sentido de alcançar este objetivo. 

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Da adoção de grades curriculares que introduzam disciplinas como economia política, dinâmicas constitucionais e geopolítica global já durante o fim do ensino elementar e começo do ensino médio até a produção de conteúdos em mídias hegemônicas a fim de contestar a barbárie neoliberal.

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