Brasil não tem o direito de interferir na política interna da Venezuela
"Os usurpadores da vontade popular, que foi claramente expressa nos 54 milhões de votos recebidos pela presidenta Dilma Rousseff nas eleições de 2014, hoje, fazem exatamente o que Chico Buarque declarou inúmeras vezes. Com os golpistas, o Brasil voltou a falar fino com os Estados Unidos e grosso como os países pequenos, como o faz agora contra a Venezuela", diz a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR); "As consequências dessa exportação do golpe parlamentar para o Mercosul são previsíveis. A volta do mesmo desprezo com que os diplomatas da ditadura eram recebidos nos fóruns internacionais é apenas uma questão de tempo pois não há argumento plausível, seja ele político, social ou econômico, que justifique a intromissão e a geração de instabilidade na região"
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
O grupo parlamentar que está colocando o Brasil entre países que desrespeitam a vontade soberana das urnas e conspiram para a promoção de golpes de estado conta com a simpatia e a cumplicidade do oligopólio de mídia que opera sem regulação no Brasil, mas não consegue calar os principais jornais do mundo, dos Estados Unidos e da Europa, todos com opinião convergente para uma única conclusão: tentar afastar uma presidenta da República que não cometeu crime, em ação deliberada de um “sindicato de ladrões”, como chegou a se referir um dos jornais mais influentes do mundo, o The New York Times, não merece outro nome, senão o de que se trata de golpe contra a democracia e a Constituição.
Os usurpadores da vontade popular, que foi claramente expressa nos 54 milhões de votos recebidos pela presidenta Dilma Rousseff nas eleições de 2014, hoje, fazem exatamente o que Chico Buarque declarou inúmeras vezes. Com os golpistas, o Brasil voltou a falar fino com os Estados Unidos e grosso como os países pequenos, como o faz agora contra a Venezuela. Para os parlamentares que hoje se incomodam em serem chamados de golpistas, mas não escaparão amanhã de assim serem classificados e carimbados nos livros de história, não basta a mudança na modulação da voz. Para eles, é preciso também ser submisso, obediente, exercer o papel que for preciso para atender aos interesses dos poderosos, inclusive os interesses antinacionais, como se está vendo na venda de lotes do pré-sal. Assim foi com a privatização selvagem do patrimônio público brasileiro nos anos 90, que hoje conhecemos como privataria, assim será com as reservas brasileiras de petróleo do pré-sal.
O golpe que vem sendo arquitetado contra a Venezuela pelos usurpadores da vontade popular no Brasil é mais uma vergonha a que os golpistas submetem nosso País. A altivez da diplomacia brasileira, que, no governo do presidente Lula, pela primeira vez na nossa história, passou a exercer influência e tornar-se um ator importante nas grandes questões globais, ensaia a volta à submissão, ao papel de servo de interesses dos poderosos, que não são os interesses do povo brasileiro.
Cínicos, os condutores da política externa interina repetem para a imprensa amiga que precisam afastar o fator ideológico das relações do Brasil com o mundo. Entretanto, seus movimentos indicam que o que determina suas ações é exatamente a ideologia do neoliberalismo que traz, sempre, como principal resultado a concentração da riqueza nas mãos de poucos e a miséria da maioria da população.
Os usurpadores, sem qualquer legitimidade, como ficou patente na sonora vaia que o interino Michel Temer recebeu na festa de abertura das Olimpíadas, preparam-se agora para exportar o golpe para a Venezuela. E o fazem de maneira acovardada, rasteira, sem qualquer interesse na estabilidade geopolítica na América do Sul, tarefa que é essencialmente do Brasil pela extensão do seu território e pela sua importância econômica para toda a região. Aliás o fazem sem considerar os interesses comerciais brasileiros.
Em dez anos de relação com a Venezuela nossa balança ficou positiva em U$ 29 bilhões. Exportamos para lá alimentos, mas também produtos manufaturados sofisticados. A Venezuela também é vital para o desenvolvimento da nossa fronteira Amazônia e desempenha papel fundamental para suprimento de energia elétrica da Região Norte. Essa ação do governo brasileiro é um tiro no pé.
O Brasil não tem o direito de interferir na política interna de outros países, da mesma forma que seria inadmissível a intromissão de outros países na crise política pela qual passa nosso País, cujos responsáveis e beneficiários diretos aliaram-se a Eduardo Cunha para ocupar o lugar que as três últimas eleições presidenciais lhes negou.
Como os demais países-membro do bloco, a Venezuela está em condições de liderar o Mercosul. Não há nenhuma sanção que a impeça para isso. A alegação de que ainda não conseguiu cumprir com toda normativa do Mercosul, prevista no protocolo de adesão, é improcedente. Nenhum Estado Parte do Mercosul, inclusive o Brasil, cumpre integralmente com a normativa do bloco.
As consequências dessa exportação do golpe parlamentar para o Mercosul são previsíveis. A volta do mesmo desprezo com que os diplomatas da ditadura eram recebidos nos fóruns internacionais é apenas uma questão de tempo pois não há argumento plausível, seja ele político, social ou econômico, que justifique a intromissão e a geração de instabilidade na região. Aliás, a grande ausência de autoridades internacionais na abertura das Olimpíadas já dá bem a dimensão da rejeição que o mundo tem a intervenções golpistas.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247