Brasil, ame-o ou dane-se por aqui mesmo!
Estamos diante da maior putaria cívico-bélico-cristã, jamais vista na história desse país. Desde que a fumaça vermelha começou a subir e anunciou que habemus presidente, o que se sucedeu foi uma retórica digna de uma marcha do milico louco. Uma versão militar, eugênica e sem nenhum swing, do “Samba do Crioulo Doido”
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Estamos diante da maior putaria cívico-bélico-cristã, jamais vista na história desse país. Desde que a fumaça vermelha começou a subir e anunciou que habemus presidente, o que se sucedeu foi uma retórica digna de uma marcha do milico louco. Uma versão militar, eugênica e sem nenhum swing, do “Samba do Crioulo Doido”
Para começar, o presidente eleito avisa que vai transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém. Depois da repercussão negativa da declaração, ele disse que nada está resolvido. Questionado por repórteres, ele se negou a falar sobre o assunto e abandonou a entrevista.
O ministro extraordinário, responsável por iniciar a transição do governo, é mais ordinário do que extra. O mesmo é réu confesso por uso de caixa dois em campanha. O que não deveria se alinhar com um governo que levantou a bandeira da honestidade durante toda a campanha. Mas, ele fez um vídeo pedindo desculpas pelo crime que cometeu. Então, tá certo!
O Juiz que ia acabar com a corrupção, aceita ser ministro do presidente que só foi eleito, porque ele mandou prender o candidato que era o líder nas pesquisas. O mesmo Juiz exalta o pedido de desculpas do ministro réu confesso, pelo crime de caixa dois que este cometeu e ainda diz que o admira. É que o mesmo réu confesso, agora é seu parceiro de ministério no novo governo. É como se o gato confiasse ao rato, a guarda do queijo.
O General, vice do eleito e o Pastor mala e manipulador de ovelhas, saíram na porrada verbal por causa da função a ser exercida pelo Senador caçador de pedófilo e rezador oficial do novo presidente. O Pastor mandou o General ficar calado, orar 10 pai nossos e dar 10% do seu soldo para a sua Igreja como penitência. Sobrou até para o pobre do camelo, que foi comparado pelo General, ao possível novo ministro da família.
O presidente eleito acena com a fusão dos ministérios da agricultura e do meio ambiente e com o fim dos ministérios da cultura e do trabalho. O seu braço direito, também conhecido como “Posto Ipiranga”, já planeja o fim da previdência pública e dos direitos trabalhistas. Uma ode ao fascismo neo liberal. Os pobres que votaram nele, já demonstram uma certa apreensão com o que há de vir. Mas, logo se animam, quando lembram que, pelo menos, tiraram o PT.
Alguém ergue uma faixa em homenagem ao ex brilhante Coronel torturador e um dos filhos do presidente eleito, o compara ao Juiz que ia acabar com a corrupção. Segundo ele, a esquerda demoniza a memória do demônio, digo, do Coronel que enfiava ratazanas na vagina das mulheres que torturava, da mesa forma que tentam manchar a imagem do incorruptível e imparcial Juiz. Para ele a balança seletiva da justiça e o pau de arara da tortura, tem o mesmo significado e o mesmo peso. E deve ter mesmo. Pelo menos no lombo de quem não faz parte da sua turma.
O Hamas já mandou um recado mal criado para o presidente eleito. O Egito já barrou a visita do nosso Chanceler. O Príncipe de Orleans, que deve ser ministro do novo governo, disse que sonha em invadir a Venezuela e libertar o povo escravizado pelo comunismo de Maduro. Deve ter herdado o espírito abolicionista dos seus ancestrais, que depois de 400 anos escravizando uns pretinhos africanos, perceberam que aquilo estava errado e decidiram alforriar aquele povo sofrido.
O patrão dono do baú ficou maluco. Do nada, começou a rodar uma vinheta da ditadura militar no seu canal de TV. Lá estava o slogan: “Brasil, ame-o ou deixe-o” e a trilha sonora preferida do Dops ao fundo. Um momento vintage nacionalista, que poderia ser batizado com o mesmo nome daquele quadro de humor exibido pela mesma emissora, onde os velhinhos aprontam umas traquinagens, relembrando os seus bons tempos de juventude. Alguém um dia disse que “O poder é o sexo dos velhos” e como a pipa do vovô não sobe mais, nada melhor do que relembrar os tempos onde ela empinava.
O presidente eleito está mandando alunos filmarem professores na sala de aula e pedindo para que eles publiquem os vídeos. A caguetagem agora é oficial. Desde que a Lava Jato legitimou a delação e concedeu a seus praticantes, o título de colaboradores da justiça, ser pilantra e dedo duro é uma condição si ne qua non para voltar a ser considerado um cidadão de bem. Bezerra da Silva se revira no túmulo.
Nem a prova do Enem escapou da ronda do Capitão. Ele, seus pares e boa parte das cabeças pensantes que o elegeu, repugnaram uma questão que se referia ao “pajubá”, uma espécie de dialeto dos LGBTQRSTUVXZ. Espero não ter esquecido nenhum gênero. Eles nunca devem ter ouvido falar em antilinguagem ou desconhecem o significado de “Conhecimentos Gerais”. Eu sei que respeito à diversidade não é o forte dessa gente, mas também não precisa ser tão obtuso.
Didático para eles, é um candidato a presidência subir num palanque, pegar no colo uma criança de cinco anos de idade e ensiná-la a matar, fazendo gesto de arminha com a sua mãozinha inocente. Aliás, isso deve estar no novo conteúdo programático de Educação Moral e Cívica, que ele pretende incluir na grade curricular do ensino fundamental. É bem provável que “Tiro ao alvo” também seja incluído entre os desportos da nova Educação Física. Assim também como o prêmio “Jovem Atirador”, será o novo programa de incentivo a ciência.
Em suma, eleitores do presidente eleito estão tocando o foda-se por aí. Já assassinaram homossexuais, já bateram em mulheres contrárias ao seu “mito”, já mandaram os pretos voltarem para a África, já ameaçaram artistas de perderem a mamata de Lei Rouanet, já deram tiros pro alto para festejar a vitória de seu líder e estão mandando para Venezuela qualquer um que discorde de sua estupidez.
E olha que o eleito ainda nem tomou posse. Imagina essa turma toda, com uma arma em uma das mãos e uma Bíblia na outra, decidindo o destino do país?
Como é que se escreve: "Estamos fudidos!" em Pajubá?
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