Braga Netto já falhou no golpe contra Guedes por falta de preparo

"O general que Paulo Guedes chamou de despreparado diante de todos os colegas e do presidente da República estaria aí agora preparado para o golpe", escreve o jornalista Moisés Mendes

Braga Netto e Paulo Guedes
Braga Netto e Paulo Guedes (Foto: Carolina Antunes/PR | REUTERS/Ueslei Marcelino)


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Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

Se a tentativa de Braga Netto de intimidação do Congresso com o blefe do voto impresso existe mesmo e não der certo, será a segunda vez que o general terá fracassado com uma ameaça de golpe.

Em 22 de abril do ano passado, o general tentou golpear Paulo Guedes. Foi naquela famosa reunião em que Bolsonaro encarou Sergio Moro e quando Ricardo Salles anunciou o estouro da boiada.

Braga Netto era o chefe da Casa Civil e decidiu fazer seu début como estrategista em alto estilo. A reunião ministerial havia sido preparada por solicitação dele e para que ele brilhasse. Vamos relembrar, porque esse é um país de esquecidos.

O general abriu os trabalhos e estampou num power point no telão o projeto que deveria marcar o encontro do Conselho de Ministros e os próximos anos do governo.

Era o plano de retomada do crescimento da economia com a injeção de recursos públicos em obras de infraestrutura e em projetos na indústria, no agronegócio, nos serviços, no turismo. Estava chegando o Programa Pró-Brasil.

Braga Netto seria o general desenvolvimentista. A imprensa anunciou o plano com alarde. Os militares estavam assumindo o planejamento estatal de grandes obras e projetos e passando por cima de Paulo Guedes.

Muita gente embarcou nessa conversa, eu inclusive. Mas o imbróglio de Bolsonaro com Moro acabou por provocar a divulgação do vídeo da reunião em que o sujeito tratou das próprias hemorroidas e Abraham Weintraub chamou os ministros do Supremo de vagabundos.

O vídeo divulgado por ordem do ministro Celso de Mello denunciou o que de fato havia acontecido. O Pró-Brasil foi desmascarado.

Braga Netto começa a apresentação do seu plano estratégico, que teria a duração de pelo menos 10 anos, e comete um erro colegial ao afirmar em tom de pergunta:

– É um Plano Marshall brasileiro, né?

Paulo Guedes, ofendido pela ousadia do general de apresentar um plano estatal de surpresa, e logo na sua área ultraliberal, reage com certa agressividade.

Não poderia ter sua missão de comandante civil da economia usurpada por um militar. Guedes diz que o plano não funcionaria e atira a maior pedra que tem na mão:

– Eu queria fazer a primeira observação. É o seguinte: não chamem de Plano Marshall porque revela um despreparo enorme.

Braga Netto, o poderoso interventor do Rio, o general da elite das elites, o agora gestor convocado por Bolsonaro para articular as grandes ações de governo na Casa Civil, havia sido chamado de despreparado. E na frente de todos os ministros.

O general tentou dizer que a comparação era apenas uma alegoria e que sabia, sim, o que havia sido o Plano Marshall. Ficou constrangido, abateu-se, e o estrago estava feito. Guedes o denunciava para todos por falta de preparo.

Nunca mais falaram do Pró-Brasil, e Braga Netto foi agora deslocado da Casa Civil para a Defesa, porque o seu destino no governo seria outro.

O general que Paulo Guedes chamou de despreparado diante de todos os colegas e do presidente da República estaria aí agora preparado para o golpe.

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