Bolsonaro não tem capacidade de dar um golpe clássico apenas com as milícias e seus asseclas
Apenas milícias bem armadas não têm capacidade de dar um golpe de Estado clássico num país de 8.547.403 km² e mais de 212,6 milhões de habitantes
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A BBC Brasil noticiou que apenas em 2021, houve o aumento de 33% na importação de armas, o mais preocupante são as armas de grosso calibre, fuzis, carabinas, metralhadoras e submetralhadoras, com um aumento de 574%.
Desde 2019, o jornal GGN publica uma série de investigações demonstrando a íntima sinergia da indústria de armas com o Bolsonarismo. (Xadrez do golpe de Bolsonaro a caminho, capítulo 2). Se não bastassem as relações econômicas, houve os variados decretos facilitando aquisição, transporte, relaxamento da fiscalização e controle dessas armas, cuja responsabilidade é das Forças Armadas Brasileiras, que não foi apenas conivente, mas defendeu essas iniciativas. Esse não é um governo Bolsonaro, é um governo Partido Militar/Bolsonaro.
Essas armas, provavelmente, estão indo às mãos das milícias - estas não estão no país todo, concentram-se no Rio de Janeiro -, latifundiários, clubes de tiro e polícias herdeiros dos grupos de extermínio da ditadura militar – espalhados pelos mais diversos estados da federação.
Porém, apenas esses grupos bem armados, não têm capacidade de dar um golpe de Estado clássico num país de 8.547.403 km², mais de 212,6 milhões de habitantes. Não bastaria cercar Brasília e Rio de Janeiro. Para tomar esse país continental seria necessária uma avançada coordenação, estratégia e logística, não basta ocupar territórios, é preciso mantê-los.
No Brasil, o único grupo com tal capacidade e expertise são as Forças Armadas Brasileiras. Como diversas vezes publicamos, as forças armadas não estão mais usando as técnicas de 1964, ocupação por tanques nas ruas, eles estão usando as doutrinas militares do século XXI – Psy Ops, Proxy War, Decept Ops etc. (O projeto de poder dos militares para as eleições 2022 e além).
O golpe já foi dado em 2016, não há vantagem para os militares darem um golpe e colocar o Bolsonaro no poder. Sendo que Bolsonaro é disfuncional para o projeto de poder do Partido Militar. Pela nova doutrina militar, o que se faria é usar esses grupos armados para causarem caos nas cidades brasileiras durante às eleições. Desse modo, as forças armadas apareceriam como a volta da ordem, cancelariam as eleições e criariam um Estado de Sítio, reivindicariam o art. 142 da CF. Os militares seriam os detentores dos preceitos constitucionais de garantia da lei e da ordem.
O golpe não será de Bolsonaro e seus 300 de Brasília, mas dos militares e através de uma dissimulação.
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