Bolsonaro e a promulgação da hipocrisia

Enquanto o deputado Jair Bolsonaro não se cansa de dizer ao que veio, os seus seguidores não se cansam de não entender a real intenção por trás de sua candidatura

Brasília - Deputado Jair Bolsonaro fala com a imprensa sobre ter virado réu no STF (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Deputado Jair Bolsonaro fala com a imprensa sobre ter virado réu no STF (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Nêggo Tom)


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Enquanto o deputado Jair Bolsonaro não se cansa de dizer ao que veio, os seus seguidores não se cansam de não entender a real intenção por trás de sua candidatura. Em um vídeo que está circulando pela rede, o mito dos que ainda não entenderam nada, faz um discurso elitista na terra do Tio Sam. Tentando conquistar a simpatia dos investidores estrangeiros e dos donos do capital, Bolsonaro, além de endossar o fim da CLT, sentenciou: "O trabalhador vai ter que decidir: menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego", tipo uma mãe que repreende o filho que não quer comer a papinha. Ou come ou leva um tapinha no bumbum.

No mesmo vídeo, ele ainda declara que vai dar carta branca para a polícia matar e que não está muito preocupado em fazer política de massa para agradar ao povo trabalhador. Segundo ele: "O trabalhador até tem a sua importância, mas o patrão também tem", numa clara demonstração de que, no seu governo, a jiripoca vai piar, ainda mais, para o lado do pobre. Isso me faz deduzir que os eleitores de Bolsonaro sejam ricos e bem sucedidos. Do contrário, após ouvirem esse discurso, já deveriam estar procurando outro mito para chamar de seu. Mas, mesmo tropeçando na própria língua, Bolsonaro segue imponente e arrebanhando seguidores, cada vez mais descompensados e crentes, de que, um militar no poder, colocará o país nos eixos e exterminará a "corja comunista" que destruiu o país.

Quando ouço alguém dizer que precisamos de uma intervenção militar ou de alguém linha dura, para reestabelecer a ordem, defender a família, os bons costumes e blá blá blá, me lembro da época em que prestei o serviço militar. O Major comandante da minha companhia, um curitibano que falava "tchê", torcia para o Fluminense e usava um bigode respeitável, tinha, digamos, lapsos de homossexualidade e uma ligeira inclinação ao consumo do mesmo pó encontrado, em grande quantidade, dentro de um certo helicóptero, que pousou em terras mineiras. Tudo dentro da maior discrição, é claro.

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O respeitável ofical tinha pose de machão. Era linha dura, estilo Bolsonaro, mas era menos obtuso do que o possível candidato a presidência da república. Seu ponto fraco era gostar de dar um tapa, ora na substância proibida, ora no genital do soldado 365. Segundo relatos de fontes confiáveis e a confissão do próprio subordinado hierárquico, eram patoladas de encher a mão. Entre outras carícias. Se alguém tivesse fotografado tais cenas, certamente, hoje, as imagens estariam expostas em algum museu, como parte integrante de alguma mostra, que retrata a diversidade sexual, sob a legenda: "Patolada Militar" O Soldado virou seu estafeta (mensageiro na linguagem militar) pessoal e detentor de alguns privilégios na companhia. Tudo através da meritocracia do seu pênis.

Toda e qualquer história que o Major contava, ainda que fosse sobre o possível consumo de miojo, por parte dos marcianos, ele dava um jeito de encaixar o nosso querido soldado na trama. Era uma admiração avassaladora, parecida com essa, nutrida pelos bolsominions por seu líder. Desta forma, o soldado 365, que era muito gente boa, diga-se de passagem, foi galgando postos na companhia. Foi promovido a Cabo e logo depois a Sargento temporário, bem do jeito que a direita entende como justo. Por seus esforços e méritos. A mesma direita, que sempre governou com postura, justiça e retidão, desde 1500, até chegar a esquerda diabólica e malvada, para destruir tudo que eles construiram de bom nesse país.

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Certa vez, esse que vos escreve, a época um mero soldadinho de chumbo a serviço da caserna, estava de guarda na entrada do quartel, quando adentra a unidade, o Fiat Uno verde, 4 portas (nos anos 90, um baita carro, e que eu sonhava ter um igual. Sabia de nada, inocente) do referido Major, tendo apenas ele a frente e nos assentos traseiros, dois jovens, aparentando uns 17, 18 anos. Ambos se dirigiram a sala do oficial e permaneceram por mais ou menos umas duas horas. A guarda inteira ficou em polvorosa. Os comentários eram os mais diversos e as especulações eram das mais criativas possíveis.

Seria um sequestro? Será que o major foi rendido? Será que vai rolar uma suruba verde oliva ou vão fazer um treinamento especial de camuflagem? Rolou até um "bolão" para saber o que eles estariam fazendo lá dentro. Terminado o "sei lá o que", que eles foram fazer, o Major sai de carro pela portaria, com a sua postura altiva habitual e a guarda inteira, como de praxe, se levanta para lhe prestar continência. Um soldado jura que notou uma sujeirinha branca em seu bigode. Só não identificou se era pó ou líquido. Mas isso não importa. O que importa é que a hipocrisia continua sustentando algumas ideologias e pontuando o comportamento de alguns cidadãos, ditos de bem.

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E o pior é que tem muita gente prestando continência para isso.

Ordinário, marche!

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