Bolsonaro diz a que veio: governar por decreto

"O capitão que pretendia explodir adutoras no Rio anuncia pelo Twitter que vai estender a posse de armas, num país que já tem mais de 60 mil homicídios por ano. Com o aval do amanuense de Curitiba transformado em super-ministro. Como? Por decreto. A sinalização é gritante", diz o colunista Ricardo Melo, da rede de Jornalistas pela Democracia. "O princípio, ninguém se iluda, vai valer também para providências na área econômica, social e onde for necessário para os planos da turma"

Bolsonaro diz a que veio: governar por decreto
Bolsonaro diz a que veio: governar por decreto (Foto: Adriano Machado/Reuters)


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Por Ricardo Melo, para o Jornalistas pela Democracia Nos tempos da Alemanha de Hitler, muitos de seus eleitores afirmavam não levar a sério as promessas reacionárias e genocidas do futuro ditador. Queriam apenas mudança. Deu no que deu –o alucinado estava falando sério.

Descontadas as diferenças de ambiente, momento histórico e estratégias, o Brasil vive um momento semelhante. O capitão que pretendia explodir adutoras no Rio anuncia pelo Twitter que vai estender a posse de armas, num país que já tem mais de 60 mil homicídios por ano. Com o aval do amanuense de Curitiba transformado em super-ministro.

Como? Por decreto. A sinalização é gritante.

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Bolsonaro, com suas limitações civilizatórias conhecidas, sabe que dá trabalho negociar com instituições mesmo que formalmente democráticas. Parlamento, Judiciário –para que tudo isso, principalmente para alguém que como ele defendeu em público o fechamento do Congresso?

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Ele estava falando sério. A decisão sobre a posse de armas mostra não apenas que seu governo está determinado a instaurar a política do tiroteio. Afrouxar a posse de armas equivale a liberar o porte na prática. Quem for pego com armas no carro, por exemplo, sempre vai poder dizer que “estava levando o revólver para casa”. Alguém acredita que o cidadão será incomodado?

A medida comprova também que o capitão vai explorar todas as brechas para decidir com sua “famiglia” como levar o país para o abismo. Existe um espaço quase infinito para que se recorra a decretos e medidas provisórias para driblar “incômodos” legislativos e judiciários. O princípio, ninguém se iluda, vai valer também para providências na área econômica, social e onde for necessário para os planos da turma.

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Nesse ponto, Bolsonaro conta com um aliado tarimbado. Sérgio Moro é especialista em chicanas, como demonstrou na operação Lava Jato. Conseguiu mandar para a prisão um ex-presidente com base num processo condenado por juristas renomados internacionalmente. O STF, bem, sobre ele nem é preciso falar.

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A boa notícia é a decisão do PT, PSOL e PCdoB de não comparecer à posse do aspirante a ditador. A mídia gorda critica a ausência. Engraçado: quando o DEM e o PSDB não compareceram à posse de Dilma Rousseff, esta mesma mídia praticamente silenciou. Isto embora a petista tivesse vencido um pleito em que não pairavam dúvidas sobre a legitimidade. O motivo da ação impetrada no Tribunal Eleitoral à época foi resumido em poucas palavras pelo finado político Aécio Neves: “Era para encher o saco do PT”.

Já quanto a Bolsonaro as evidências de fraude no pleito estão esparramadas para quem quiser ver. O processo contra Lula e a manipulação monstruosa de redes sociais falam por si só. Afora isto, a plataforma e a trajetória do oficial capitão atentam contra princípios democráticos elementares. Não há motivo para celebrar sua posse. Palmas para a oposição.

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