Boicote no Natal

"Se pela exclusão do histórico do negócio a opção que restar estiver salgada para o bolso, que se exercite a alternativa de não comprar. Isso certamente derrubará o preço num mercado ganancioso e pouquíssimo solidário como o antimercado brasileiro", escreve o colunista Marcelo Uchôa

 Movimento do comércio popular no Brás no mês do Natal.
Movimento do comércio popular no Brás no mês do Natal. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)


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A história vem mostrando que não são prioridades do capitalismo a melhoria do padrão de vida das pessoas ou a sustentabilidade do planeta. O capitalismo visa remunerar bem aqueles que se colocam melhor no sistema e ponto final. Apesar disso, o consumo é mola mestra nessa equação, pois é ele que propicia a acumulação efetiva do capital pela meia dúzia de verdadeiramente beneficiados. É aí que os consumidores, mesmo o pequeno e médio, elementos da ponta da relação e normalmente marginalizados no sistema, adquirem importância.

O objetivo desse texto não é aprofundar as bases deste tema tão complexo, apenas convidar os que são responsáveis pela vitalidade do consumo, nós consumidores, aproveitando que se está às vésperas do Natal, há muito convertido em farra de compra e venda, a refletir sobre a importância de um agir ético na hora do exercício da aquisição. 

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Negócios vivem de receitas, receitas vivem de vendas e vendas vivem de compras. Funcionários e fornecedores, considerados pelos acionistas dos negócios como propriedades das empresas, são tratados como meros coadjuvantes na relação econômica. Já o consumidor, não. Ele precisa ser convencido a se vender para adquirir o produto posto à venda, sem o qual o negócio não se sustenta. Ele é inequivocamente entendido como alguém vital à existência do negócio. Tal condição dá a quem consome a possibilidade decisória sobre o que e onde comprar, e até mesmo a alternativa de não comprar. Por que, então, não refletir antes da transação? 

É fundamental que o consumidor avalie o histórico do negócio antes da compra. É inadmissível que alguém de senso crítico continue comprando em empresas vinculadas ao trabalho escravo ou que reconhecidamente explorem seus funcionários. É incoerente que alguém que se considere progressista consuma em organizações cujos executivos ou interlocutores ajam de modo racista, misógino, homofóbico ou de alguma outra forma discriminatória, ou que deliberadamente financiaram ou financiam a existência de um projeto genocida de governo. Como comprar numa empresa que corrobora com a degradação ambiental? A humanidade seria melhor se a sociedade optasse por prestigiar projetos sustentáveis, comprazíveis com o convívio urbano, mais ainda, se valorizasse negócios de pessoas comprometidas com as causas sociais. 

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A mídia corporativa, em sua conhecida sonsa estratégia de tentar transparecer preocupada com os interesses da população, abordará a comparação de preços. Comparar preços também é importantíssimo, especialmente num cenário de grave crise econômica como o atual. Porém, se pela exclusão do histórico do negócio a opção que restar estiver salgada para o bolso, que se exercite a alternativa de não comprar. Isso certamente derrubará o preço num mercado ganancioso e pouquíssimo solidário como o antimercado brasileiro. O Natal é um evento religioso que congraça a fraternidade e o amor, é paradoxal que possa servir de alavanca para alimentar a depauperação das condições de vida do próximo. Se for comprar, pesquise!

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