As manifestações contra Temer

A essas alturas do campeonato, com o golpe pra lá de consolidado, uma manifestação com 100 mil pessoas, vamos convir, é um baita evento



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A essas alturas do campeonato, com o golpe pra lá de consolidado, uma manifestação com 100 mil pessoas, vamos convir, é um baita evento. Até se quis contestar os números dos organizadores, mas como a Folha e a PM paulista só calculam passeatas contra o PT, vão ter que engolir um movimento, que pelas previsões dos entendidos está só começando.

O raciocínio é que, quando as maldades trabalhistas, previdenciárias e sociais do golpista Temer, começarem a invadir lares e bolsos dos brasileiros, há uma forte expectativa de que o movimento que pede o 'Fora Temer' e grita por Diretas Já! deva crescer com toda força.

Ponha nessa balança também a ilegitimidade de um governo sem voto, sem carisma e sem discurso, rodeado de traidores e repleto de corruptos e vamos ter querosene pra muita passeata.

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Um outro combustível bem mais potente que vai lotar muitas ruas pelo país afora, está configurada na pesquisa que pergunta se os brasileiros querem Diretas Já!, realizada pelo portal e-Cidadania do Senado Federal: Até o início da noite desde domingo (4/9), o placar a favor de eleições dava uma goleada de 146.912 a 12.340. Nada menos do que 92% dos brasileiros querem o 'ForaTemer' com eleições diretas para presidente ainda esse ano. Pela grandiosidade dos números, dá pra arriscar que até os paneleiros surfaram nessa onda.

Corte, para falar que a manifestação do domingo em São Paulo caminhava em plena harmonia, quando foi interrompida pela brutalidade da PM de Alckmin que prendeu, mesmo antes de iniciar o movimento, 26 jovens sem a mais remota justificativa e seguiu reprimindo com a violência dos cassetetes ( um jornalista da BBC Brasil foi agredido ), balas de borrachas (um jornalista do EL País e o ex-ministro Roberto Amaral foram atingidos ) e gás lacrimogênio.

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Até a imprensa internacional, com destaques no jornal americano Washington Post e o espanhol EL País, denunciou a truculência da PM paulista contra um 'movimento pacífico'.

Na contramão da racionalidade, o editorial da Folha de São Paulo - o mais tucano de toda a imprensa nativa, passou ao largo da força e importância do protesto e foi fincar suas críticas na baderna reinante da manifestação. Achou pouco e ainda exigiu mais repressão aos 'grupelhos extremistas' e 'fanáticos da violência' Ele falava de meia dúzia de black blocs infiltrada no movimento, sem qualquer conexão com a essência do protesto e muito menos com a filosofia da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, organizadores do evento.

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O editorial tira ainda o pé da história, quando alerta para os riscos desses 'grupelhos fanáticos' tomarem conta do poder e faz referências ao Brasil de 64 e à Alemanha nazista de Hitler.

Na amnésia, acredito, deliberada, o editorialista 'esquece,' que badernas que geram medo só servem à direita golpista. O incêndio do Reichstan, por exemplo, foi o estopim que detonou as ações de Hitler rumo ao Estado de exceção.

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Já aqui em terras de Santa Cruz, as turbulências de 64 serviram de pretexto para udenistas e militares jogarem nosso país na longa escuridão de 21 anos de ditadura.

Por falar em udenista, tem um bocado deles aboletado nos poleiros do governo golpista de Temer. Aliás, a Folha deveria ter mais respeito com os baderneiros, porque na história do Brasil onde teve golpe, quem sempre esteve por lá foram as digitais udenistas.

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