As guilhotinas estão a caminho

"O crescimento exponencial dos óbitos tornará a situação de Bolsonaro insustentável? O fim do auxilio emergencial cavará a sua sepultura? O sistema político irá decapitá-lo?", questiona o colunista Ricardo Cappelli

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 08/05/2020
Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 08/05/2020 (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)


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O crescimento exponencial dos óbitos tornará a situação de Bolsonaro insustentável? O fim do auxilio emergencial cavará a sua sepultura? O sistema político irá decapitá-lo?

Jair “Robespierre” chegou ao poder prometendo acabar com a ineficiente e corrupta “monarquia da Nova República”. Os jornais da família “Marat-Marinho” incendiaram o povo contra o sistema. Manchetes suplicavam: “Cabeças, mais cabeças!” 

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Quando não tinha mais pescoços de inimigos para cortar, Messias passou a conduzir à morte seus aliados - a história das revoluções é pródiga em processos de depuração. O poder vai ficando cada vez mais concentrado até se estabelecer imperialmente, ou cair vitimado pela doença da paranoia isolacionista.

Não é inteligente fazer com que todos se sintam ameaçados. Quando o jacobino anunciou uma nova lista dos "sem-cabeça”, sem revelar seus nomes, sentiu o peso do metal afiado sobre seu próprio pescoço. 

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O movimento de Bolsonaro com o Centrão é uma reação preventiva. Depois de atirar em todos de forma indiscriminada, o capitão parece ter visto o brilho da lâmina se aproximando. 

A outra ameaça que ronda a cabeça do presidente é a crise humanitária. 

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Entramos na primeira semana do pico epidêmico com o número de óbitos subindo. Ninguém consegue indicar quando alcançaremos, quanto tempo durará e em qual patamar será o nosso “platô”.

Sem vacina, as mortes viriam de qualquer jeito? O isolamento salvou milhares de vidas? A disputa política já está em curso, apesar da ciência ser categórica no apoio às medidas defendidas pela OMS.

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Os mortos irão decapitar o presidente? Cabeças de outros governantes irão para a guilhotina? O governador do Amazonas já enfrenta um processo de impeachment. Circula que a CGU e a ABIN estão procurando eventuais desvios nos estados. Tem gente se vestindo de carrasco de todos os lados.

Por último, a guilhotina “arroz-de-festa” em processos revolucionários: a fome. Ela foi decisiva para que a cabeça de Luis XVI rolasse. A agenda de Guedes foi engolida pela pandemia. Será difícil equilibrar o gasto público da popularidade com os desejos do mercado.

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Judiciário, MP e outras corporações também resolveram trocar tapas em Paris. Toffoli critica o ativismo de Alexandre de Moraes. Em cada estado, dependendo do juiz, o bloqueio total das atividades é bom ou ruim. Ninguém se entende.

Em momentos de crise sistêmica - humanitária, política, econômica e social - o povo costuma clamar por uma mão forte, capaz de redefinir um rumo, seja ele qual for. 

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Jair “Robespierre” não esconde de ninguém sua intenção de virar imperador. 

Para quem acredita que sua cabeça em um cesto – seria o terceiro degolado após a redemocratização - terá como conseqüência natural o triunfo da democracia, um alerta da história: pode dar Napoleão.

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