As cinzas de Têmis: conteúdo perverso e forma obsessiva

Curiosamente, conforme pôde-se assistir, já existia a condenação sumária da ré na origem do Processo, era necessário apenas forjar a tipificação criminal para que nela se enquadrasse a "criminosa" já condenada sem crime a priori



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O rito do impeachment contra a Presidente Dilma Rousseff chega à sua reta final, cumprindo a sua forma ritualística determinada pela Lei.

Desde o dia 17 de abril de 2016, naquela sessão teatral inesquecível, reveladora do que é de fato a Câmara Federal e quem são os seus deputados, o julgamento da Presidente já fora sacramentado.

Curiosamente, conforme pôde-se assistir, já existia a condenação sumária da ré na origem do Processo, era necessário apenas forjar a tipificação criminal para que nela se enquadrasse a "criminosa" já condenada sem crime a priori.

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Nessa lógica, importante perceber, de forma incontestável, a absoluta subversão dos princípios fundamental que regem o Direito, provocando uma sensacional colisão estrondosa entre Direito e Justiça.

Do ponto de vista formal, não há nada a se questionar quanto ao formato ritualístico do Processo, por sinal, obsessivamente perfeito, embora o seu conteúdo seja completamente vazio, não se sustentando em suas premissas axiais acusatórias, totalmente retóricas e hilárias, no entanto, notoriamente perversas.

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Talvez o mais admirável de todo esse Processo surreal e subversivo instalado, além de si mesmo, seja a completa falência do Direito arrogante e sofista assim como a morte da deusa grega Têmis (Θέμις), filha de Urano e de Gaia, execrada e transformada em um humanoide vulgar, inquestionavelmente míope, surdo e mudo, incinerando assim a Justiça brasileira em praça pública e lançando as suas cinzas fétidas no ar e no solo tupiniquim.

O suposto rito perfeito perpetrado que vem se arrastando nada mais é do que um doente obsessivo grave que não pára de ruminar em sua brilhante certeza formal ritualística, intelectualizada e racionalmente hermética – o seu principal mecanismo de defesa, inabalável. Entretanto, em suas brechas e entrelinhas, se escute a sujeira de seu desejo. Por isso, é preciso sobrepor constantemente, a todo custo, a doença do rito ao seu estranho conteúdo interior. O Processo fede.

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Nada obstante, como não poderia ser diferente, apesar de seu sombrio conteúdo perverso e obsessivamente desmentido – se assim não fosse não seria aberrante -, a forma tenta se sustentar. E só consegue se sustentar pela cumplicidade de parcela significativa do povo brasileiro e suas instituições também afetadas pela doença. O conteúdo desejante desse povo tende a se realizar, da forma perpetrada. Contudo, se atentarmos mais para a história do desejo, percebemos que, na realidade psíquica e social, não se trata verdadeiramente de um desejo conhecido e decidido, mas tão somente um gozo mortal, pois o seu conteúdo, além de não ser um desejo singular, é o desejo de um Outro – de quem todos nós jásabemos se tratar –, qual seja, é o desejo original perverso, eis o seu verdadeiro conteúdo, desviado em rito obsessivo bastante patológico.

Nesse sentido, estamos todos doentes, as aparências (forma) sobrepuseram-se à verdade (conteúdo).

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A pulsão de morte parece que venceu. Thanatos assassinou e queimou Têmis, na ágora da Polis. Em breve, todos nós recolheremos as suas cinzas, o símbolo da destruição do Direito e da Justiça.

O gozo perverso (conteúdo) do Outro, disfarçado de morte ritualística obsessiva do desejo do um, prevaleceu imbatível.

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Juntemos as cinzas... Onde está Zeus

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