Aqui jaz a democracia. Deixe suas condolências

Ao que parece, estaremos novamente sob os domínios da corte imperial. A distribuição das capitanias já foi feita pelo rei Dom Michel, o traidor e os seus beneficiários terão a missão de fazê-las prosperar, sem deixar que corram o risco de serem usurpadas novamente pela plebe



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Bem, amigos! Ao que parece, estaremos novamente sob os domínios da corte imperial. A distribuição das capitanias já foi feita pelo rei Dom Michel, o traidor e os seus beneficiários terão a missão de fazê-las prosperar, sem deixar que corram o risco de serem usurpadas novamente pela plebe. Serão 180 dias nos quais os membros da realeza tentarão, de todas as formas possíveis e impossíveis, convencer o povo brasileiro de que a Lei Áurea gerou milhões de desempregados, de que a CLT criada por Getúlio Vargas foi uma atitude populista, intempestiva e irresponsável, que as mulheres deveriam ter continuado sem direito a voto e sem acesso a cargos eletivos, que as empregadas domésticas não precisam de direitos trabalhistas, que o pobre não precisa cursar uma faculdade e que o melhor e mais seguro para o povo sempre foi e será a servidão e a submissão ao estado. Tudo em nome de Deus, da família, do país, da bandeira, da moral, da ética e para a segurança das contas que eles possuem no exterior.

O afastamento da presidente Dilma da presidência da república, pelos motivos alegados, é um atentado a democracia brasileira, que apesar de jovem, vinha dando sinais de maturidade nos últimos anos. A democracia jaz, silenciada a queima roupa num bombardeio comandado por um exército de golpistas e inimigos, os quais nunca suportaram e admitiram a sua simples possibilidade de existência. O golpe não atinge somente a presidenta e ao PT, ele foi milimetricamente calculado para acertar o alvo, e esse alvo é o povo. O povo menos favorecido, os tradicionalmente oprimidos, os que sempre tiveram pouca voz e que agora, mais do que nunca, verão as suas poucas e demoradas conquistas ameaçadas.

Acredito que não seja muito difícil seguir a linha de raciocínio que nos direciona para a seguinte conclusão. Se Michel Temer e sua matilha foram capazes de trair a presidente da república, o que não seriam capazes de fazer ao povo brasileiro, estando eles no poder?

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É de uma absurda inocência acreditar que esse processo de impeachment visa salvar a economia do país. É ingenuidade demais crermos que com a saída de Dilma Rousseff os empregos irão surgir como num passe de mágica. É de uma puridade angelical pensar que eles estejam preocupados com o desemprego e com o bem estar social do povo trabalhador. Logo eles, que deixam claro em seu projeto de governo, batizado de: Uma ponte para o futuro, mas que também pode ser intitulado como: De volta para a senzala, que nos últimos anos, o aumento real do salário mínimo tem sido um vilão para a economia. Contra isso eles propõem que a cada ano o Congresso, na votação do orçamento, decidirá, em conjunto com o Executivo, os reajustes que serão concedidos. Entre outras palavras, é o fim das indexações para salários, apose ntadorias e benefícios previdenciários. O aumento se dará como e quando eles bem quiserem.

Sobre as novas regras para aposentadoria, eis o que diz o evangelho de Temer: "A solução parece simples, do ponto de vista puramente técnico: é preciso ampliar a idade mínima para a aposentadoria, de sorte que as pessoas passem mais tempo de suas vidas trabalhando e contribuindo, e menos tempo aposentados. Não é uma escolha, mas um ditame da evolução demográfica e do limite de impostos que a sociedade concorda em pagar. (...) As idades mínimas passaram de 60 anos para 65 e até 67. E, no futuro, vão aumentar novamente por que os jovens de hoje vão viver ainda mais." Esse versículo da nova bíblia trabalhista do PMDB se encontra na página 11 do projeto "Uma ponte para o futuro." Ainda no livro sagrado dos golpistas, podemos ler o que eles pretendem fazer com os programas estatais criados pelo governo do PT. "A terceira regra nova do orçamento é a ideia de 'orçamento com base zero', que significa que a cada ano todos os programas estatais serão avaliados por um comitê independente, que poderá sugerir a continuação ou o fim do programa, de acordo com os seus custos e benefícios. Hoje os programas e projetos tendem a se eternizar, mesmo quando há uma mudança completa das condições. De qualquer modo, o Congresso será sempre soberano e dará a palavra final sobre a continuação ou fim de cada programa ou projeto.

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Fica muito claro que a intenção do golpe é promover uma ruptura no processo democrático no país, e muito mais do que isso, brecar a inclusão e o desenvolvimento social dos mais pobres. As políticas afirmativas não podem ser eternizadas, mas a desigualdade social sim. O acesso da camada mais pobre da população, a direitos básicos como moradia, alimentação e educação, deve ser controlado pelo estado. Esse é o projeto totalitarista e oligárquico que Michel Temer e seus mentores querem implantar no país. É evidente que haverá e tem que haver forte resistência e reações à altura, para impedir que esse tratado escravocrata moderno seja instituído em nossa sociedade, mas esse período de afastamento da presidente Dilma é tudo o que eles precisam para disseminar no país a ideia de que tudo estava errado e que o povo agora estará em boas mãos.

Desde a eleição passada, na qual o candidato derrotado não se conformou com a derrota nas urnas, que esse golpe começou a ser articulado e foi ganhando corpo com a cooptação de empresários, políticos corruptos, traidores, falsos religiosos e inimigos do atual governo, que ávidos por poder, compraram a ideia do sacrifício a presidente Dilma como única alternativa para retomarem o poder. Os projetos de inclusão social e demais políticas afirmativas, incomodaram a casa grande que começou a sentir escapar pelas mãos, o poder e o domínio que detinham sobre os mais pobres. Esses já não se deixavam mais escravizar, aprenderam a lutar pelos seus direitos, tomaram gosto pela dignidade que sempre lhes fora negada e se passaram a recusar o estigma do sofrimento e da exclusão natural aos quais, historicamente, sempre estiveram pas sivamente submetidos.

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Tudo que o PT conseguiu construir de positivo para os mais pobres ao longo desses anos de governo, está sendo classificado como uma grande irresponsabilidade administrativa que quebrou o país. Responsabilizam os governos de Lula e Dilma e outros partidos de esquerda, pela divisão de classes na sociedade, quando na verdade, o opressor está apenas se lamentando por não poder mais manter o oprimido sob a sua rédea, pois o mesmo se deu conta de que não deve mais suportar a opressão, seja ela em forma de racismo, machismo, ideologia ou desigualdade social.

Os simpatizantes da esquerda política são chamados de vagabundos, da mesma forma que o ex-presidente FHC já se referiu aos aposentados durante o seu governo. Quem não aceita ser explorado e subjugado pelo poder absolutista dos coronéis da nova era, é visto como um perigo e é preciso desqualificá-lo , para que perca credibilidade nas suas reivindicações.

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Voltamos às páginas iniciais de um livro, cuja história, sabemos bem como começou e se não interferirmos no seu roteiro, irá terminar da mesma forma, ao som da chibata e vocalizado por uma melodia triste, que remete a angústia e muita dor. Um novo navio negreiro está ancorado no caos e se permitirmos a sua partida, só nos restará uma saída, se jogar ao mar. E que os tubarões nos protejam.

Resistência antes que tardia!

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