Aos trouxas: Migalhas! Plim-Plim

O ano de 2016 foi marcado por bizarrices e surrealismos indescritíveis, embora se possa dizer que o mágico e o macabro sejam componentes irrefutáveis da nossa grande realidade material, social e política



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O ano de 2016 foi marcado por bizarrices e surrealismos indescritíveis, embora se possa dizer que o mágico e o macabro sejam componentes irrefutáveis da nossa grande realidade material, social e política. Realmente, aquilo que se apresentou no cenário político brasileiro fez com que não se pudesse distinguir, ao certo, a realidade da ficção. Contudo, é importante salientar que depois do genial, porém inclassificável psicanalista francês, Jacques Lacan (1901-1981), a experiência subjetiva humana pode ser reduzida a 'três registros' que se entrelaçam: 'RSI (Real-Simbólico-Imaginário)'.

Para deturpar o 'nó de borromeu' "alucinado" por Lacan, desviando-se de seu ensinamento rigorosamente erudito, técnico e ético, para efeito analógico, dir-se-á que o mamífero homem está imerso nessas três dimensões: 'realidade real' (sem representação); 'realidade simbólica' (representação – linguagem) e a 'realidade imaginária' (ilusões, imaginação), ainda com a ajuda da Linguística.

O que se viu, de forma analítica leiga e de senso comum, foi a construção imaginária de um inimigo forjado pela oposição ao governo social-democrata do PT, culminando com o seu 'Golpeachment', significante forjado pelo psicanalista e poeta José Marcus De Castro Mattos, com a deposição sumária da Presidente eleita, Sra. Dilma Rousseff.

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A sábia, conspiradora e perversa 'Oposição' se utilizou, pode-se de dizer, dos registros analógicos aludidos acima:

1º) Elegeram o inimigo, enfiando o 'simbólico' no 'real', pois frustrada diante de seu desejo de poder que não se realizava há quatro eleições presidenciais sucessivas, foi necessário fabricar um inimigo imaginário: O PT e seus adeptos. Ou seja, diante do 'mal-estar' 'real' inominável oriundo da não realização de seu desejo de poder, impetraram o simbólico (linguagem) para dar nome a esse 'mal-estar' sem nome até certo momento, que se passou a chamar 'Lula', estendendo-se a 'Dilma' e a todo o 'PT';

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2º) Assim, era preciso disseminar esses 'significantes' (aqui, no sentido de 'palavras' forjadas) do "mal-estar na civilização tupiniquim"1, obviamente colados num primeiro e único significado: corrupção. Portanto, os significantes "Lula", "Dilma" e "PT" passaram a ter o 'significado' inicial e derradeiro: corrupção. Quem forjou tudo isso? Simples: quem havia perdido o poder durante as quatro eleições presidenciais sucessivas. Mas quem são eles? Mais fácil ainda a resposta: os donos do capital e dos meios de produção. Ainda, mas quais são os donos dos meios de produção e do capital. A medida que se aprofunda essa divertida investigação, mais fácil vai ficando as respostas: os grandes empresários, os grandes latifundiários, a grande mídia, os banqueiros. Enfim, a dita "elite brasileira", extremamente egoísta, aquela que "não repara na dor da vendedora de chicletes" – Música 'Burguesia', do falecido poeta, cantor e compositor brasileiro Cazuza);

3º) No entanto, quantitativamente, os verdadeiros burgueses que detêm os meios de produção e o capital são em números bastante reduzidos em comparação à enorme massa da população brasileira: trabalhadores formais e informais, subempregados, aposentados, estudantes, etc. Portanto, como disseminar esse 'real' "mal-estar na civilização tupiniquim" sentido e nomeado, à priori, pela "elite brasileira" derrotada sucessivamente nas urnas? Deveras simples: 'imaginarizar' as subjetividades populares a partir da 'dessimbolização', ou seja, contaminar a população goela abaixo. Como? Promover um espetáculo imaginário e vendê-lo ('de graça') simbolicamente à população, entretanto alienada e expulsa do campo discursivo onde o diálogo e o contraponto deveriam prevalecer, incitando mais a luta de classe através do ódio e do ressentimento. De que forma? Implementando o discurso eloquentemente ideológico, deturpador da realidade político-social como resposta a esse suposto "mal-estar na civilização brasileira", aquilo que se assemelha a uma angústia (sem nome) supostamente sentida pelo povo espoliado. Assim, chefiando o carro disseminador do inimigo fabricado causador do 'mal-estar', pôs-se de plantão, diuturnamente, as "Organizações Globo" – velha aliada do Estado de Exceção e da Ditadura – e toda a mídia subserviente à elite brasileira.

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Lamentavelmente, embora a História escancare esse fenômeno político em vários lugares do mundo em repetidas vezes, o povo parece não compreender. De fato, parafraseando o filósofo Hegel (1770-1831): "A História só nos ensina que não aprendemos nada com a História".

No momento, vivemos um grave Estado de Exceção pós-golpe, a barbárie se instala rapidamente; os direitos sociais e humanos são a cada instante perversamente violados; as empresas do estado são vendidas a preço de banana; as três esferas do poder se derretem em escândalos de corrupção; a "operação Lava Jato se revela a que veio", blindando bárbaros políticos e devastando a vida pública e íntima do ex-Presidente Lula, num festival de descompostura ilegal...

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E o mais preocupante ainda: grande parcela da população brasileira que aderiu a essa farsa imaginária simbolicamente forjada e disseminada pela ignóbil mídia brasileira continua a bradar pelos quatro cantos: "Fora Lula", "Fora PT"... A frágil "Ponte para o Futuro" do escroque Temer e os seus comparsas parece emergir, mas, na verdade, se imerge num pequeno túnel subterrâneo, levando os pobres brasileiros às portas do inferno.

Enquanto isso, nos 'céus', a "elite brasileira" já brinda o "Feliz Natal" e o "Próspero Ano Novo". Claro, apenas para ela.

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Ao povo, abaixo do céu elitizado, as suas migalhas caídas.

Tim-Tim... Plim-Plim....

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