Agricultura é uma chave para o desenvolvimento humano
Derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo é uma questão de vida. E Lula, junto com Freixo, nos inspira a elaborarmos um novo projeto de desenvolvimento com igualdade
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O dia 25 de julho é conhecidamente o Dia do/a Trabalhador/a Rural, no Brasil, e o Dia Internacional da Agricultura Familiar. A data foi transformada pelos movimentos populares e pela Igreja Católica progressista em dia de luta, convocando todos os anos jornadas de lutas, com ocupações e marchas, um dia de conscientização.
Estudos apontam que 33 milhões de brasileiros vivem com fome ou insegurança alimentar. É a primeira vez que o nível de insegurança alimentar no Brasil supera a média mundial (35%), de acordo com dados obtidos a partir do Instituto Gallup World Poll. A parcela de brasileiros que não teve dinheiro para alimentar a si ou sua família, durante algum período nos últimos 12 meses, subiu de 30% em 2019 para 36% em 2021, um nível recorde. Este aumento no Brasil representa quatro vezes a média mundial. O nível de insegurança alimentar entre os 20% mais pobres no Brasil foi de 36% em 2014 para 53% em 2019, e atingiu a 75% em 2021 (22 pontos percentuais em dois anos). Os dados indicam que, somente no estado do Rio de Janeiro, enquanto 50% dos homens responsáveis por “colocar comida na mesa” estão em situação de segurança alimentar, 38,58% das mulheres que lutam pelo sustento de suas famílias passam fome. A fome tem gênero, classe e raça e atinge majoritariamente as mulheres negras e periféricas.
Assumimos coletivamente enquanto Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) o desafio de estabelecer pré candidaturas em 10 estados que abracem a agricultura camponesa como principal pauta de lutas e como elemento chave para um outro tipo de desenvolvimento no Brasil. Além da maior participação das mulheres na política, da luta pelos direitos e da defesa da democracia, apontamos a Reforma Agrária e a produção de alimentos saudáveis como saída real para os problemas que hoje afligem nossa população.
Precisamos denunciar o modelo nocivo do agronegócio, que produz commodities para exportação ao invés de usar os milhões de hectares agricultáveis do Brasil para matar a fome de nossa própria população. Este modelo tem devastado nosso Meio Ambiente, solos, águas e ar, e envenenado grandes parcelas da população, contribuindo diretamente para o aumento dos indicadores de cânceres dos mais diferentes tipos em quem cultiva e come alimentos cheios de agrotóxicos.
O MST tem as respostas para o combate à fome, para combater também o desemprego e o inchaço e condições inumanas nas favelas. É a Reforma Agrária. E Reforma Agrária Popular significa, essencialmente, dividir as terras que não cumprem sua função social, como diz a Constituição, para que mais mulheres e homens tenham onde trabalhar e, com essa produção camponesa agroecológica termos todos, no campo e na cidade, mais alimento saudável na mesa. Fome, desemprego e desigualdade social combatidos numa tacada só!
Esta data marcante para a agricultura e, em particular, para a agricultura familiar e camponesa, nos serve como momento de reflexão e mobilização sobre nossa pauta raiz. A saída está numa nova aliança entre o campo e a cidade, ou melhor, entre o campo e a favela, porque a produção de alimentos saudáveis que vem das roças trabalhadas pelas mãos das camponesas e dos camponeses precisa chegar em primeiro lugar nas mesas das famílias que mais precisam. Para isso uma série de políticas públicas que estão no bojo da Reforma Agrária precisam ser executadas pelo Estado, como aquisição de terras, políticas de Assistência Técnica e Extensão Rural, créditos para plantio, para o estabelecimento de cooperativas, para a organização das mulheres e das juventudes rurais, bem como de circuitos de comercialização que contemplem a melhoria da renda dos agricultores e a chegada do alimento na cidade, nas casas das famílias, mas também em hospitais, escolas e outras instituições públicas. A agricultura urbana e peri-urbana também têm papel fundamental neste processo urgente de alavancarmos a produção de alimentos com foco em alimentar a gente.
Derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo é uma questão de vida. E Lula, junto com Freixo no Rio, nos inspira a elaborarmos um novo projeto de desenvolvimento com igualdade. Mas antes disso, já em janeiro, precisamos de um Plano Emergencial para acabar com a fome! A fome é intolerável. O Brasil tem uma das maiores áreas agricultáveis do planeta e, não somente não aceitaremos esta sina para nosso povo, como propomos e construiremos os caminhos de sua mudança.
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