Ações de interesse público adequadamente avaliadas fortalecem a democracia
É ncessário fortalecer a ampla difusão de resultados de avaliações. Especialmente em sociedades em que a democracia se vê fragilizada com notícias falsas
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Artigo escrito com:
Ana Lucia Lima - Consultora técnica da Agenda de Avaliação do GIFE
Camila Cirillo - Coordenadora da Agenda de Avaliação do GIFE
As democracias estão sob ameaça em diversas partes do mundo e isso não é diferente no Brasil. Políticas públicas sofrem retrocessos e enfrentamos crises socioambientais, que demandam a reconstrução das políticas em articulação com ações da sociedade civil e do investimento social privado.
Avaliar essas iniciativas é fundamental não só para a sua qualificação como também para averiguar o uso eficiente dos recursos e compreender tendências de sustentabilidade dos resultados gerados. Sabendo disso, produzir processos avaliativos mais democráticos e usar adequadamente as informações geradas pelas avaliações certamente podem contribuir para o enfrentamento das ameaças antidemocráticas.
Fortalecer a ampla difusão de resultados de avaliações é uma decisão necessária. Especialmente, em sociedades em que a democracia se vê fragilizada pela ampla disseminação de notícias falsas, pelo questionamento da ciência e do conhecimento científico e pela disputa por narrativas.
A divulgação transparente desses resultados, em linguagem objetiva e acessível, pode e deve contribuir para ampliar o entendimento sobre avanços e desafios de políticas e programas de interesse público em geral, convertendo-se, portanto, em um importante instrumento de promoção da participação e do engajamento sociais, capazes de fortalecer o tecido democrático.
Por outro lado, tendo em vista que conduzir avaliações envolve realizar julgamentos de valor acerca das iniciativas e de seus resultados — e, ainda, considerando que decisões também são tomadas com base nos achados das avaliações — processos avaliativos precisam ser democraticamente desenhados e executados de modo a se considerar pontos de vista dos múltiplos stakeholders envolvidos.
Isso implica em promover avaliações baseadas em relações de poder horizontalizadas, onde financiadores, implementadores e beneficiários contribuam na definição de perguntas avaliativas e métricas que, de fato, respondam ao que importa saber. Desta forma, aprimora-se a qualidade e a relevância dos resultados obtidos e das decisões por eles embasadas. Essa postura democrática no desenho, na implementação e no uso de avaliações contribui para fortalecê-las e tornar sua utilização mais relevante e capaz de produzir avanços em políticas e programas.
Para dar voz ao debate sobre questões como essas, o Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (GIFE) — referência no país em mobilização de Investimento Social Privado para o bem público — promove, no próximo dia 22, o 16º Seminário Internacional de Avaliação, com o apoio da Fundação Itaú Social, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e Fundação Roberto Marinho.
Será um espaço para investidores sociais, avaliadores, Organizações da Sociedade Civil, acadêmicos, consultores e autoridades governamentais analisarem o desenvolvimento e as tendências dos processos avaliativos, trocarem experiências e apontarem caminhos para avanços no setor.
Neste cenário mundial de tentativas de obstrução da cidadania, torna-se urgente analisarmos em que medida o uso de avaliações adequadas e de dados por elas geradas pode assegurar o real fortalecimento da soberania popular.
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