A verdade sempre aparecerá
Não é necessário que se passe um século para que verdades sejam reveladas. O golpe político contra a presidente Dilma precisará desse tempo de maturação, e a História se encarregará de distribuir papéis e responsabilidade para todos os atores que participaram deste ato
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O tempo é a matéria-prima da História. Sem esse distanciamento temporal, a pesquisa científica sobre um fato histórico acaba se contaminando pelos interesses das partes, causando graves distorções na realidade. Mas não é necessário que se passe um século para que verdades sejam reveladas. O golpe político contra a presidente Dilma precisará desse tempo de maturação, e a História se encarregará de distribuir papéis e responsabilidade para todos os atores que participaram deste ato. Não será surpresa se o futuro nos mostrar que o mocinho hoje seja, quem sabe, o vilão. O escândalo ocorrido na cidade de Campinas, em 2011, que ficou conhecido como caso Sanasa, já está historicamente maduro para que a opinião pública possa reavaliar de que lado ficou a verdade.
Luiz Aquino era o presidente da Sanasa, companhia de saneamento de Campinas, e foi preso com a boca na botija num esquema de contratos superfaturados. Aquino é importante para compreender todo o processo de concessão do benefício da delação premiada pelo juiz Sérgio Moro, já que foi ele quem inaugurou a era de se livrar dos crimes que cometeu a troco de acusar terceiros. Mas é aí que entra o revisionismo histórico. Ao contrário dos ex-diretores da Petrobras, e dos lobistas e empreiteiros que devolveram aos cofres públicos mais de R$ 2 bilhões em propinas escondidas em paraísos fiscais, Luiz Aquino não apontou o paradeiro de um único centavo de real, que teriam sido entregues àquela a quem acusou de ser a chefe da quadrilha, a mulher do prefeito.
O Ministério Público de Campinas garante que foram desviados da Sanasa mais de R$ 208 milhões dos cofres da companhia. Ora, uma montanha de dinheiro assim não desaparece no ar. Por ter sido acusada de ser chefe da quadrilha, era natural que a maior parte dessa propina fosse encontrada em seu poder. Aí que a porca torce o rabo. Contas no exterior? Não tem. Evolução patrimonial incompatível? Nada encontraram. Aí a saída foi inventar mentiras que se tornaram verdade nas páginas dos jornais. A mais bizarra era a existência de um poço num sítio da família do prefeito, usado para guardar dinheiro.
Confesso que temo pelo destino do presidente Lula, enredado pelo juiz Sérgio Moro. Em Campinas, apesar da fragilidade das provas apresentadas para confirmar a delação de Aquino, o juiz responsável pelo caso não teve o menor constrangimento em canetar a condenação da mulher do prefeito a mais de 20 anos de prisão. E nem sítio em Atibaia ou apartamento no Guarujá ela tem. O que aconteceu então? Os corruptos de Campinas são mais inteligentes? O delator conseguiu enganar a Justiça? Faltaram competência e objetividade nas investigações realizadas pelo Gaeco? Ou será que tudo foi um golpe político para cassar o então prefeito de Campinas, Dr. Hélio, como ele próprio denunciou em várias oportunidades?
A verdade histórica sobre a crise que abalou Campinas não compete mais aos meios de comunicação de massa. Possivelmente será contada ainda neste ano, em livro que está no prelo. Trata-se de leitura apenas para os interessados, como deve ser uma obra literária sem pretensão de redimir alguém. Esse acerto de contas só pode ser feito nas urnas, o único tribunal com poder para julgar um prefeito popular, que caiu em desgraça tão logo saíram as primeiras pesquisas apontando-o como forte candidato a governar o Estado de São Paulo, fortaleza mantida pelo PSDB a qualquer preço.
A reabilitação moral de um nome é um dos méritos da História. E o personagem não precisa sequer morrer para ter esse reconhecimento. É o que desconfio que vai acontecer, ainda esse ano, com a volta do Dr. Hélio ao poder municipal campineiro.
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