A solidariedade é laranja: 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres

A cor laranja evoca a solidariedade às mulheres e meninas vítimas de violência e a energia necessária para que superem as situações violentas e recebam o apoio necessário em sua trajetória libertadora



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No dia 25 deste mês começamos a campanha que conta com apoio de outros 70 países, com centenas de ações de mobilização em todo mundo. Pintar o mundo de cor laranja pelo fim da violência contra as mulheres foi iniciativa da ONU para os 16 dias de ativismo.

A cor laranja evoca a solidariedade às mulheres e meninas vítimas de violência e a energia necessária para que superem as situações violentas e recebam o apoio necessário em sua trajetória libertadora.

O assunto entrou nas redes sociais e já começaram as críticas: "Vocês não se cansam de falar besteira hein? Isso é uma generalização maldosa", dizem sobre violência doméstica. "A violência atinge a todos" falam outros sobre o foco da campanha.

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O fato é que a violência contra a mulher é o gene da violência na sociedade. A hierarquia das relações homem/mulher, que persistiu por tanto tempo em nossa sociedade, e ainda persiste sob o manto de cultura, de religiosidade, construiu o "modus operandi" das relações humanas. Onde prevalece a ideia que um ser pertence ao outro, deve-lhe obediência, a violência é instrumento para fazer valer vontades.

Não canso de ouvir histórias de mulheres que ao irem a uma delegacia registrar a violência que sofreram por parte de um homem são questionadas: "o que você fez para apanhar?"

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Assim também como não cabe a justificativa da violência sexual pelo "tesão", pelo "oferecimento" da mulher. Em um artigo muito bom da socióloga, e também cineasta, Tetê Vasconcelos, publicado na Folha de São Paulo do dia 27, ela diz: "homem algum estupra uma mulher por tesão. Estupra, bate e assedia para provar e comprovar seu poder sobre essa metade da humanidade".

Milhares de mães, avós, meninas, jovens são mortas todos os anos em nosso país. Os números da violência contra a mulher ainda são assustadores no Brasil e em todo o mundo. Precisamos fortalecer a luta contra esse grave problema que abusa, tira direitos, dignidade, amedronta e cala mulheres todos os dias.

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Publicado recentemente, o Mapa da Violência 2015 focou na dinâmica dos homicídios femininos nos últimos anos. Entre 1980 e 2013, num ritmo crescente ao longo do tempo, tanto em número quanto em taxas, morreram 106.093 mulheres, vítimas de homicídio. Efetivamente, o número de vítimas passou de 1.353 mulheres em 1980, para 4.762 em 2013, um aumento de 252%.

Muito desse aumento se deu por termos superado a subnotificação dos crimes, mas o fato é que ainda se matam e violam muitas mulheres pela razão de serem mulheres. Por isso a Lei Maria da Penha foi e é importante. Por isso a tipificação do feminicídio no Código Penal tem grande relevância. É isso que justifica os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres!

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Assim como na trilogia de filmes do cineasta polonês Kieslowski as cores da bandeira francesa são simbolizadas - a liberdade é azul, a igualdade é branca, a fraternidade é vermelha, possamos simbolizar a solidariedade pela cor laranja.

A campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres termina dia 10 de dezembro, definido pela ONU como Dia Internacional dos Direitos Humanos.

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Artigo inicialmente publicado no blog do Esmael

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