A síndrome de Greca
Espero que a cura para a síndrome de Greca se dê nas urnas. Que a população de Curitiba, pelo menos a parte que ainda não aderiu à república local, o faça perceber que a sua declaração também causou nojo e repulsa. E que entre poucos votos e muitos vômitos ele descubra a sua verdadeira vocação
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Que me perdoe o humorista e deputado Tiririca, mas pior que está sempre pode ficar. Quando pensamos que já vimos e ouvimos de tudo, sempre surge algo novo para assombrar nossos olhos e ouvidos. Foi com algum espanto, mas sem nenhuma surpresa, que assistir ao vídeo onde o candidato à prefeitura de Curitiba Rafael Greca, que, diga-se de passagem, é o líder nas intenções de voto, abre o seu coração para declarar em público todo seu desprezo e nojo pelos mais pobres.
Depois de deixar claro que nunca quis cuidar dos pobres porque não tinha a menor vocação para São Francisco de Assis, Greca confessou que a primeira vez que tentou carregar um pobre dentro de seu carro, vomitou por causa do cheiro. Segundo ele, era um homem tão sujo que ao chegar ao albergue, a freira perguntou: “Eu lavo o doutor primeiro ou ele.” Declarações como essa, vindo de um candidato a prefeito deveriam ser levadas mais a sério pelos eleitores, principalmente pelos mais pobres.
O povo de Curitiba deveria mostrar nas urnas, que não tem a menor vocação para ser governado por alguém de estômago tão sensível. A declaração de Rafael Greca apenas personificou o pensamento de boa parte da nossa elite. Pensamento esse, que serviu de combustível para o golpe parlamentar que tirou do poder, justamente o governo que mais fez pelos pobres e menos favorecidos. Aos olhos de alguns membros do nosso high society, ser pobre é crime inafiançável e quem ousa se colocar ao lado dos pobres também deve ser criminalizado. Isso talvez explique a tentativa desesperada da direita, em destruir os partidos de esquerda.
A síndrome de Greca é um tipo de aversão social aos mais pobres, patologia geralmente hereditária, que acomete alguns cidadãos de bem mais afortunados. Antes de afetar o estômago, tal aversão se manifesta na mente, e faz com que o indivíduo tenha algumas atitudes descompensadas e contraditórias, como, por exemplo, bater panelas e pedir intervenção militar contra um governo popular e democrático, num país que levou décadas para se libertar da ditadura e ao mesmo tempo bater palmas para um governo golpista e elitista, cuja base é composta por aquilo que há de mais nefasto e nocivo na nossa política. E isso não lhes causa vômito.
Assim como Rafael Greca, antes dos governos Lula e Dilma nenhum outro governo na história do país havia mostrado a disposição de São Francisco de Assis em cuidar dos mais pobres. A direita sempre governou para os mais ricos e sempre cuidou de manter a devida distância entre as classes. Uma possível aproximação poderia significar, além da ânsia de vômito, a perda do controle sobre o gado, que mesmo marcado no lombo, esforçava-se para ser feliz mal sabendo que a sua felicidade só duraria até quando o seu senhor permitisse e estava condicionada a sua subserviência e obediência à opressão imposta.
A espantosa falta de habilidade com as palavras traiu o candidato do PMN a prefeitura de Curitiba e trouxe a luz todo o seu preconceito. Naturalmente e como já era de se esperar, ele se desculpou após a repercussão do caso e disse que não usou a palavra pobre no sentido de classe social. Mas em que sentido ele usou a palavra então? Será que além de um comprimido de dramin para prevenir possíveis enjoos na presença de um pobre, Rafael Greca precisa se medicar com um dicionário? Claro que não! Nós é que não conseguimos compreender em qual sentido ele quis aplicar a palavra.
Espero que a cura para a síndrome de Greca se dê nas urnas. Que a população de Curitiba, pelo menos a parte que ainda não aderiu à república local, o faça perceber que a sua declaração também causou nojo e repulsa. E que entre poucos votos e muitos vômitos ele descubra a sua verdadeira vocação.
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