A relativização do estupro segundo Jair Bolsonaro

Vale lembrar que além do seu companheiro de partido, o próprio Bolsonaro responde a um processo por incitação ao estupro e já foi fotografado, pomposo e sorridente, ao lado de outro líder religioso que já esteve preso pelo mesmo motivo

Brasília - Deputado Jair Bolsonaro fala com a imprensa sobre ter virado réu no STF (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Deputado Jair Bolsonaro fala com a imprensa sobre ter virado réu no STF (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Nêggo Tom)


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Há um ditado popular que diz “Amigo meu não tem defeito. Inimigo se não tiver eu coloco” e parece que essa filosofia de boteco é o lema de boa parte da nossa direita, seletiva, fundamentalista e falso moralista. O corporativismo é uma característica marcante nessa instituição golpista que deseja tomar de assalto o poder e governar para os seus aliados e simpatizantes.

Essa mesma turma costuma acusar a esquerda de cultivar bandidos de estimação, mas não é bem isso que os vemos combatendo na prática. Recentemente o Estadão publicou uma matéria na qual o deputado Jair Bolsonaro, grande defensor da ordem e da moral, é questionado com relação ao caso de assédio sexual envolvendo o deputado e líder religioso Marco Feliciano. Em sua resposta, o mito, como ele é chamado por seus seguidores, nos dá a exata noção de como funciona a justiça seletiva dos defensores da família e dos bons costumes.

Abram aspas para a cumplicidade passar. “Se foi fora da câmara, não tenho nada a falar”. Chora cavaco! E tem mais: “Se é vida particular dele, o que tenho a ver com isso? Cuido da minha vida.” Bom! Não entendi o enredo desse samba, capitão. Mas vamos tentar entender o que o senhor quis dizer. Bolsonaro vive a citar o caso do menor, assassino e estuprador, vulgo “champinha”, como exemplo para exigir aplicação de leis mais rigorosas, como a redução da maioridade penal e a castração química para estupradores. Mas seguindo a lógica aplicada por ele mesmo ao caso do deputado Marco Feliciano, ele não deveria se meter no crime cometido por “champinha”, uma vez que não foi cometido dentro da câmara dos deputados.

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Mas como “champinha” não é seu amigo e tampouco candidato a vice na sua chapa presidencial, ele jamais contará com a resignação estratégica e fraterna do deputado Jair Bolsonaro. Parafraseando outro ditado popular eu diria que: Quem tem padrinho não morre pagão e nem corre o risco de uma castração química. Oh, sorte! A declaração de Bolsonaro revela como uma parte da nossa direita política subestima tanto a capacidade de raciocinar do povo, que nem se preocupa em formular um raciocínio lógico e coerente para convencê-lo. É preciso estar atento e forte às manobras ideológicas que os golpistas costumam praticar. Atento para não se deixar iludir e forte de estômago para digerir, sem vomitar, a incoerência da maioria de suas atitudes e comportamentos. 

Quando o crime é praticado por algum integrante do bonde dos coxinhas, eles relativizam, fingem não saber do que se trata, dizem que foi apenas uma fraqueza  e apelam para Deus e para o diabo para forjar uma inocência que não existe. Assim agem os verdadeiros ditadores. Eles aplicam a lei aos seus inimigos com todo o rigor, mas eles e seus fiéis apoiadores estão acima dela. Se o acusado de estupro fosse alguém do PT ou qualquer outro político de esquerda, a essa altura ele já estaria na cadeia e sem direito de defesa. Exagero? Por muito menos o mesmo Jair Bolsonaro mandou prender uma militante do PSOL, porque ela o chamou de homofóbico e preconceituoso. Imagina se ela tivesse tentado estupra-lo? Se bem que ele não merece ser estuprado, né?

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Vale lembrar que além do seu companheiro de partido, o próprio Bolsonaro responde a um processo por incitação ao estupro e já foi fotografado, pomposo e sorridente, ao lado de outro líder religioso que já esteve preso pelo mesmo motivo. Estupro. Há outro ditado popular que diz que nada é por acaso e muitos acreditam que a sabedoria popular não falha. Eu tenho minhas dúvidas quanto a isso. Ainda mais quando ouço que a voz do povo é a voz de Deus. Para mim isso é uma grande heresia. Principalmente se o povo em questão pertencer à porção insana da nossa direita imoral, mas defensora dos bons costumes. Aí, é bem possível que seja o diabo tentando se passar por ele.

Não me engana não! Deus é pai, não é golpista!

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