A quem interessa subverter a ordem institucional?

Aproveitando-se do tumulto, vozes reacionárias pregam saídas por fora da legalidade constitucional, verberando um senso comum de um salvador para a situação, de uma comissão suprapartidária

Aproveitando-se do tumulto, vozes reacionárias pregam saídas por fora da legalidade constitucional, verberando um senso comum de um salvador para a situação, de uma comissão suprapartidária
Aproveitando-se do tumulto, vozes reacionárias pregam saídas por fora da legalidade constitucional, verberando um senso comum de um salvador para a situação, de uma comissão suprapartidária (Foto: Renato Rabelo)


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Chispas rondam o país ameaçando incendiar o Estado de Direito Democrático. Desde que os setores extremados do consórcio oposicionista não aceitaram a derrota eleitoral na eleição presidencial de 2014 -- numa conjunção com enorme aparato midiático -- o curso político nacional vive um estado de golpe permanente. Alimenta essa situação excepcional as sucessivas ações de vazamentos seletivos da Operação Lava Jato – dirigidas no sentido político antigoverno e anti-PT, procurando atingir o ex-presidente Lula -, em desdém às normas do Estado de Direito e à Constituição.

A história de uma Nação por sua formação, curso político, econômico, social e cultural, em função desse arcabouço próprio, muitas vezes replica em acontecimentos semelhantes: o surgimento de personalidades e lideranças que se apresentam de formas parecidas. Neste momento vamos encontrar em muitas figuras do cenário político atual, perfis semelhantes aos surgidos nas crises políticas de 1954 e 1964. Mas, atenção, em resguardo à singularidade de cada período, como neste agora, o insólito é que se chegou a um estado de golpe permanente, podendo tornar-se uma marca nesta fase da história republicana do Brasil.

Na marcha dessa anormalidade, no âmbito do Poder Congressual irrompe o recente acontecimento: o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha, impelido pela acusação de um delator na Operação Lava Jato, e outras denúncias contra ele -- expressando uma posição de forma intempestiva e colérica -- conclama que está "politicamente rompido" com o governo. Agora é "oposição". Ou, "vou explodir o governo". E a afirmação descabida, de que a operação Lava Jato "é uma orquestração do governo" contra ele, parecendo procurar desesperadamente uma justificativa para uma saga revelada, porquanto o sentido político assumido por essa operação tem demonstrado realmente ser o contrário. O PMDB declarou que tais manifestações de Eduardo Cunha são de cunho pessoal. As decisões desse Partido cabem as suas instâncias nacionais.

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Diante desse candente fato sucedido, se expõe mais uma componente que forma esse cenário político instável e excepcional de agora, podendo prenunciar uma crise institucional. Tal componente demonstra no conjunto da ação golpista perpetrada por setores do consórcio oposicionista uma ameaça as instituições – sendo esta, o movimento político mais nocivo da hora presente, integrado daqueles que ameaçam levar a nação aos escombros, truncando o destino democrático desse grande país.

Por seus interesses imperativos, setores dominantes poderosos e a elite conservadora e preconceituosa, aproveitando-se de um momento peculiar de crise e de transição no Brasil e no mundo, não se pejam em arrostar seus propósitos mesmo que, transgredindo a Constituição, o País retroceda e se transforme numa republiqueta sem futuro.

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Aproveitando-se assim do tumulto, vozes reacionárias pregam saídas por fora da legalidade constitucional, verberando um senso comum de um salvador para a situação, de uma comissão suprapartidária, ou até de uma solução fascistoide, tipo intervenção militar. Esse mais recente acontecimento que envolve diretamente um chefe de poder, por sua característica revelada mais nitidamente, é um chamamento à razão que pode trazer um vislumbre mais amplo da grande ameaça ao futuro do país.

Nessa situação, torna-se ainda mais verdadeiro e justo, o que partidos e vozes mais consequentes e responsáveis pelo destino soberano, democrático e de progresso social do Brasil insistem na assertiva da defesa do Estado Democrático de Direito, da preservação da ordem constitucional, da efetiva volta à normalidade política.

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Em consequência, se destaca assim a defesa do mandato constitucional da presidenta da República, Dilma Rousseff, recém-eleita. É um fato político expressivo, na hora presente, a aprovação da Carta do Piauí, dos Governadores do Nordeste, no seu IV Fórum, ao defender que a crise política no Congresso não pode interferir na constitucionalidade do mandato da presidenta, pois não aceitam interrupção da governabilidade.

Nessa situação a resposta conclama também um chamamento de respeito à ordem democrática, na qual os chefes de poder e responsáveis pelas instituições do Estado cumpram sua função precípua nos limites outorgados pela Constituição. Nesse sentido, é estranho o procedimento do procurador Valtan Furtado, que se apropria de um caso delicado, para desfechar uma ação preliminar de investigação contra o ex-presidente Lula, transparecendo um sentido político, provocando uma medida abusiva e com agravantes, motivando uma repercussão nacional e internacional.

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Temos insistido no fato de a presidenta Dilma ter recém começado seu novo mandato e merece uma parcela de crédito. Mesmo daqueles que se fixam em explicar o sucedido como consequência principal de erros da presidenta. Ela precisa dar curso ao seu governo.

Ademais, não se pode esquecer de que a presidenta tem uma trajetória marcada pela integridade e coragem. Ela está consciente e empenhada na transição atual para novo ciclo, para a retomada do crescimento com soberania, democracia e avanço social. Apesar dos obstáculos e limites do período atual ela persiste em articular um plano de governo de ação integrada.

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E não se pode subestimar importantes iniciativas do seu governo voltadas para grandes programas de investimentos já anunciados e nas relações recentes com lideres das maiores potencias mundiais, resultando em significativos acordos, destacadamente no âmbito do BRICS, no propósito de abrir uma nova etapa de desenvolvimento para o país, na perspectiva de uma nova ordem mundial.

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