A política segundo o evangelho dos hipócritas

Por decisão unânime dos ministros do STF, o atual presidente da câmara dos deputados teve seu mandato suspenso e ao contrário do que qualquer lógica pudesse sugerir, quando um corrupto é punido, tivemos muita gente lamentando a decisão do supremo. Os aliados de Cunha na Câmara que o digam

Bras�lia - O Presidente da C�mara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante reuni�o de l�deres (Marcelo Camargo/Ag�ncia Brasil)
Bras�lia - O Presidente da C�mara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante reuni�o de l�deres (Marcelo Camargo/Ag�ncia Brasil) (Foto: Nêggo Tom)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

O caldeirão político do Brasil continua em ebulição.  Novos ingredientes estão sendo adicionados e vão apimentando o molho e dando o ponto ideal para que o prato seja servido. Mas é bom que se faça uma alerta a quem tenha estômago fraco. O prato é indigesto.  Depois de concluir o trabalho sujo de fazer passar na câmara o processo de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma, Eduardo Cunha caiu. Por decisão unânime dos ministros do STF, o atual presidente da câmara dos deputados teve seu mandato suspenso e ao contrário do que qualquer lógica pudesse sugerir, quando um corrupto é punido, tivemos muita gente lamentando a decisão do supremo. Os aliados de Cunha na Câmara que o digam.

Eduardo Cunha era um dos líderes da chamada bancada evangélica na câmara, composta ainda por nomes como: Marco Feliciano, Arolde de Oliveira, João Campos e até Irmão Lázaro, que só tomei conhecimento que era deputado federal durante a votação do impeachment. Mas como acontece nas grandes famílias, as diferenças entre os membros às vezes compromete a harmonia e, portanto, é necessário que seja feita a separação do joio do trigo. Existem membros da mesma bancada que são dignos de respeito e não será a respeito desses que vamos falar. Falaremos dos hipócritas. Aqueles os quais Jesus Cristo chamaria de sepulcros caiados, ou como diz um antigo ditado: Por fora bela viola e por dentro pão bolorento.

Eu sei que o estado é laico, mas eu sou católico e lhes peço licença para usar uma passagem bíblica que ilustra bem o tema que quero abordar. Eis o trecho: “Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedas em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os pões aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los; e fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens.”.

continua após o anúncio

Vamos dizer que o congresso nacional seja a cadeira de Moisés da hora, onde estão assentados os nossos escribas e fariseus contemporâneos, sob o título de deputados.  Aqueles, que após cada voto proferido a favor do impedimento da presidente Dilma, invocavam o nome de Deus e atribuía a ele a sabedoria dada para tomar tal decisão. Curiosamente, a maioria desses deputados não pediu sabedoria a Deus para evitar que se envolvessem em escândalos de corrupção. Alguns até já foram condenados em vários processos, o que nos faz recorrer a um trecho da passagem bíblica citada anteriormente, que nos alerta para que não procedêssemos como eles, pois eles dizem e não fazem.

Ao que parece o evangelho político é bem diferente do bíblico e permite, por exemplo, que haja comunhão entre Jair Bolsonaro, um torturador declarado e Marco Feliciano, um pastor evangélico que se elegeu graças ao uso do nome de Deus. Ambos devem formar a chapa do PSC para a próxima eleição presidencial e segundo já declararam, eles foram chamados por Deus para salvar a nação. Pobre nação. Nem em Deus podemos confiar mais. Ainda seguindo pela trilha do evangelho político, nos deparamos como uma figura, que mesmo não sendo parlamentar e nem ocupando nenhum cargo público, se faz constantemente presente na articulação política do país. Trata-se do também pastor Silas Malafaia.

continua após o anúncio

O homem de Deus e arauto da moralidade que costuma fazer uso de um tom de voz imperativo para persuadir e convencer as suas presas, é aliado de Eduardo Cunha, Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Aécio Neves e Michel Temer, entre outros tão inconfiáveis quanto os citados. Aliás, Malafaia lançou um vídeo em seu canal do YouTube atacando o Ministro Teori Zavascki, por ter concedido a liminar que suspendeu o mandato de Cunha. Segundo o pastor, o presidente da câmara não poderia ter o seu mandato suspenso por uma canetada. Eu me questiono sobre o motivo pelo qual um homem, supostamente de Deus, se dispõe a defender um corrupto e inimigo declarado da democracia. Vale ainda lembrar que o mesmo Malafaia foi ao Palácio do Jaburu dar a sua benção a Michel Temer, o Judas Iscariotes do momento, e desejar-lhe boa sorte no seu futuro governo. Será que Jesus Cristo teria fei to o mesmo, abençoando a um traidor? Um pastor não deveria ser um representante de Cristo na terra?

Talvez seja muita inocência de minha parte esperar que um pastor, que é muito mais conhecido por seu envolvimento em assuntos polêmicos e que não lhes dizem respeito, do que por pregar o evangelho o qual o seu título religioso supõe que seja a sua função, siga os exemplos de Cristo. O mesmo apresenta uma preocupação muito maior com a vida sexual alheia e com a formação de alianças políticas obscuras que beneficiem os seus interesses pessoais espúrios, disfarçados a sombra da Bíblia. E quando o bonde da bancada evangélica do mal passa em frente ao senado, oferece uma carona ao senador Magno Malta, um sujeito, que pela sua postura moralista diante dos holofotes, poderia ser classificado como belo, recatado e do lar. Só que não! O senador, também conhecido como o terror dos pedófilos, é aliado de Ze zé Perrela, Bolsonaro, Feliciano e bajulador de Michel Temer. Mas como esse tipo de aliança é possível a um homem de Deus? Graças ao evangelho dos hipócritas.

continua após o anúncio

Parafraseando a letra de um samba do Almir Guineto, eu diria que tudo que se faz no congresso se coloca Deus no meio. Deus já deve estar de saco cheio. Mas existe a possibilidade de que o deus ao qual eles tanto se referem seja outro. Nesse caso, ele, o deus particular dos corruptos, deve estar feliz com as homenagens. Afinal, ele não tem compromisso, nem com a verdade e muito menos com a democracia. Os fardos mais pesados eles oferecem para as suas ovelhas carregarem e sugerem que elas suportem, em nome de Deus, todo e qualquer infortúnio ou comprometimento pessoal decorrente desse sacrifício. A recompensa virá, só que para eles, e não para quem carregar o fardo da hipocrisia contida no evangelho desses oportunistas.

O gado deve ser conduzido através de palavras enganosas, que lhe faça crer que está indo para um bom pasto. Só que a cada varada que ele receberá no lombo, para não se desviar do caminho, ele começará a perceber que o bom pasto prometido, na verdade é um matadouro. Se ele tiver possibilidade de se jogar do penhasco mais próximo, sua dor ainda será menor do que o sofrimento que teria se chegasse ao local do abate. Fujam para as colinas ou para os penhascos, mas não se deixem levar por esse evangelho sujo e deturpado que esses falsos cidadãos de bem da nossa política lhes oferece.

continua após o anúncio

Se me permite o colega Lelê Teles, vou terminar com o seu bordão.

Palavra da Salvação!

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247