A montanha pariu mais um rato

O governo foi acuado na reforma da previdência porque nunca apresentou um relatório atuarial crível para legitimar os seus números catastróficos. Prometeu um novo modelo junto com a proposta de LDO 2018. Em abril, o produto chegou, inovador em sua descrição, dezenas de fórmulas e uma base de dados mais abrangente. Mas é apenas um sepulcro caiado

O governo foi acuado na reforma da previdência porque nunca apresentou um relatório atuarial crível para legitimar os seus números catastróficos. Prometeu um novo modelo junto com a proposta de LDO 2018. Em abril, o produto chegou, inovador em sua descrição, dezenas de fórmulas e uma base de dados mais abrangente. Mas é apenas um sepulcro caiado
O governo foi acuado na reforma da previdência porque nunca apresentou um relatório atuarial crível para legitimar os seus números catastróficos. Prometeu um novo modelo junto com a proposta de LDO 2018. Em abril, o produto chegou, inovador em sua descrição, dezenas de fórmulas e uma base de dados mais abrangente. Mas é apenas um sepulcro caiado (Foto: Flávio Tonelli Vaz)


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O governo foi acuado na reforma da previdência porque nunca apresentou um relatório atuarial crível para legitimar os seus números catastróficos. Prometeu um novo modelo junto com a proposta de LDO 2018. Em abril, o produto chegou, inovador em sua descrição, dezenas de fórmulas e uma base de dados mais abrangente. Mas é apenas um sepulcro caiado.

Desde 2001, todos as propostas de LOA contêm anexos com projeções para os regimes previdenciários. Sempre uma formalidade. Os dados que embasaram essas projeções entre 2012 e 2017 foram todos da PNAD 2009. Informações como taxa de atividade, ocupação, níveis de emprego e de contribuição para a previdência social, renda dos trabalhadores etc. sempre saíram da PNAD da crise.

Para a proposta de reforma da previdência, as previsões governamentais também utilizaram a PNAD de 2009. Se os dados fossem de 2014, por exemplo, apontariam um terço a menos para o desemprego, maior formalização do trabalho e 61% dos trabalhadores ocupados contribuindo para a previdência, ao invés de 53%.

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Natural que sempre errassem tanto. Previsões alarmantes para 2060 coexistiam com erros grotescos para o ano seguinte. A opção pela catástrofe determina o uso de dados escolhidos a dedo, como os de um ano ruim para o mundo do trabalho.

A metodologia descrita para o novo relatório, na proposta de LDO 2018, afirma que as projeções passaram a fazer médias entre as PNAD. Uma evolução importante para informações mais próximas de uma realidade complexa.

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Mas todo sepulcro caiado continua fétido por dentro

O discurso do déficit previdenciário é parte das reformas. Há dois elementos presentes nesses "déficits": a simplificação do financiamento, tornado restrito às contribuições de trabalhadores e empregadores e o cenário de futuro - a principal arma desse discurso.

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Atrás de dezenas de fórmulas, que dão um ar científico para as estimativas, estão informações relacionados ao projeto de futuro escolhidas pelo governo.

O governo Temer prevê um Brasil sem futuro

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A economia rastejará. Pelas estimativas de Temer, entre 2018 e 2021, o crescimento do PIB fica entre 2,5% e 2,87%. A partir daí até 2060, a cada ano, sempre menor do que no ano anterior; depois de 2040, nunca mais de 1,5%; e em 2060, 0,74%. Nos próximos 42 anos, a economia "crescerá" a uma média anual de 1,67%.

O desemprego será estrutural. Até 2060, o governo estima que a massa salarial dos trabalhadores ocupados fica congelada no PIB. Ou não haverá novas ocupações para os desempregados ou teremos uma redução da renda média dos trabalhadores ocupados.

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Um modelo de formalização do emprego e de inclusão previdenciária nem pensar. A som dos salários dos contribuintes para a previdência crescerá muito menos do que a massa salarial geral e menos ainda do que o PIB. Assim, a receita previdenciária diminuirá frente a economia.

Esse é o futuro que Temer projeta para o Brasil e é o seu discurso para a reforma da previdência.

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Como seriam os resultados da previdência com outro futuro?

O crescimento do PIB é um elemento importante para o emprego e a renda dos trabalhadores. E o valor do PIB cumpre um papel para aquilatar o significado econômico de determinadas despesas.

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Para 2060, o governo calcula um PIB de R$ 92 trilhões. Mas, se a economia crescesse 2,5% (e não 1,67%), o PIB seria de R$ 130 trilhões, 40% maior. Se o crescimento fosse de 3,0%, alcançaria R$ 159 trilhões, 72% maior. E se crescesse 3,5% ao ano, chegaria a R$ 194 trilhões, 110% maior. Com um PIB maior, as despesas do RGPS diminuiriam frente à economia e todo o alarmismo ficaria sem sentido.

E, maior crescimento econômico representa muito mais emprego, maiores rendas para os trabalhadores e mais receitas previdenciárias.

Se o modelo admitisse a redução do desemprego, as receitas previdenciárias aumentariam. Somente a ocupação dos atuais 12 milhões de desempregados significaria 15% a mais na arrecadação previdenciária. Manter o desemprego abaixo dos 5% exigiria outros milhões de postos de trabalhos para absorver uma população em idade ativa que cresce e em 2045 será superior à atual.

Se o modelo admitisse um percentual maior de filiados à previdência, mais receita para a Previdência. Entre 2015, 62% dos trabalhadores ocupados eram filiados à previdência. Dez anos antes, 47%. Isto representou quase 14 milhões a mais filiados.

E se o projeto de futuro reforçasse essa filiação e, com ela, a cidadania da cobertura previdenciária? Somente reduzindo à metade o número de trabalhadores ocupados sem previdência, os contribuintes aumentariam 31%.

E se a reforma trabalhista, ao invés de apostar na terceirização e na precarização do trabalho, no crescimento do emprego por tempo parcial e sempre na redução dos salários, estivesse em linha com um modelo de valorização do trabalho? E se a participação dos salários na renda nacional continuasse crescendo, como o fez entre até 2014? E se o governo colocasse na conta o combate das fraudes tributárias e o enfrentamento à sonegação?

Cada um desses elementos constituem um cenário de crescimento econômico, com geração e formalização de empregos, com aumento da renda do trabalho, com novas receitas, um novo horizonte para a previdência social e maiores garantias os direitos dos trabalhadores. A combinação de vários desses fatores permitiria uma nova previdência, mais abrangente, capaz de distribuir ainda mais cidadania.

Com Temer não há futuro: ele acha que o Brasil permanecerá no fundo do poço onde o seu governo o coloca.

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