A maior vitória da direita
O êxito da direita foi realizar uma bem sucedida síntese entre os mundos da economia, da política e da cultura em favor do atual clima de urgência e desespero e que só agrava a condução do nosso país
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A grande inteligência da direita política e econômica neste maledicente 2015 foi ter logrado construir convergências conceituais, simbólicas e políticas de tal ordem e eficiência que o drama econômico pela qual passa o país, - coisa que de fato, não é de agora -, bem como as muitas e diversas problemáticas nacionais que envolvem cotidianamente a vida no Brasil são sub-repticiamente canalizadas e conduzidas às contas dos governos do PT, sobretudo, pelos estratagemas quase sempre convincentes da mídia, pelos ágeis discursos da direita e, principalmente, pela incapacidade de reação teórica e política do dito campo popular e democrático.
Essa combinação redundou exatamente na atual quadratura em que estamos enfurnados onde uma mescla de desalento, apatia e conformismo rege o comportamento majoritário de nossa população. Objetivamente este cenário é assaz favorável à direita capitaneada pelo demo-tucanato que está radiante com a real possibilidade do fracasso de Dilma Roussef.
A direita fez mais... Operou com uma ferocidade jamais vista na história da República. Trouxe à baila da luta política as seculares contradições de nossa economia e que desde o século XVI é assentada no oneroso crime ambiental e ecológico do agronegócio onde nossa dependência é intensificada a cada novo surto de crescimento. Nessa gira econômica carregada de vãos, vazios e hiatos e no imperativo econômico de proceder intercâmbios internacionais o país se viu diante de uma crise que obrigou todas as principais economias do mundo à realização de ajustes profundos em suas contas, em seus planejamentos visando, sobretudo, a redução de investimentos.
Não deu outra! Nossa cana, nosso suco de laranja, nossas carnes e nossa soja tiveram seus preços reduzidos pelo mercado internacional enquanto nossos estoques internos foram ampliados forçando mais ainda, a redução dos preços. O que fez o governo? Fez o que sempre faz, regulou seus preços por meio de re-financiamentos, isenções, anistias e renegociações para o setor. Como bem sabemos... O "importante" é manter as margens médias de lucros do patronato.
O que fez a grande mídia do tucanês? Tratou de ampliar e reforçar as conexões ideológicas do liberalismo mais rameiro e boçal e que tomou conta do debate econômico no mundo e, de novo, jogou todo o ranço de uma demanda internacional por commodities e que estruturalmente tende a reduzir no espinhaço de escolioses do Governo Federal.
Sob o aspecto cultural, outra fundamental dimensão desse jogral político e apropriado pelo conservadorismo brasileiro, esse articulado de contradições políticas e econômicas dá vida, forma e motivo às piores tradições de nossa já bastante atrasada política brasileira.
Então vejamos os ingredientes nitroglicerinados dessa mistura: economia recessiva, política travada na melancolia mimada de Aécio Neves (PSDB) e de sua pletora de seguidores e resistentes em aceitarem a derrota para a gagueira de Roussef mais o teatro da Operação Lava Jato sob a alçada do muito midiático juiz Moro e conduzido pela Polícia Federal que ainda investiga ilícitos em contratos de empresas prestadoras de serviços à Petrobrás com pitadas azedas de quadros petistas na captação de rebarbas das propinas daí advindas.
Não deu outra! Uma misturação como essas resulta no pior dos mundos porque nossa crise tem mil cabeças e está no boteco da esquina e nos gabinetes da FIESP; nas igrejas evangélicas de franca escatologia e nas mais avançadas pesquisas científicas e que por aqui fazemos; está na família tradicional e nas novas formas de atuação política; está nas praças, nas ruas e nas nossas percepções decaídas de um amanhã que se mostra completamente incerto.
O êxito da direita foi realizar uma bem sucedida síntese entre os mundos da economia, da política e da cultura em favor do atual clima de urgência e desespero e que só agrava a condução do nosso país.
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