A irracionalidade biocultural brasileira e o sujeito do desejo
Mais uma vez, mediante o retrocesso infantil deletério imposto e estagnado em alguns, os atores brasileiros democratas e esclarecidos são chamados a pensar e agir para todos os brasileiros, apesar da força contrária dos kamikazes latino-americanos "verde-amarelados"
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Algo inusitado acontece no Brasil pós-Golpe/2016: a maioria daqueles que foi às manifestações de rua pedir o afastamento da Presidente Dilma Rousseff e que bradou outras insólitas barbaridades está agora acuada por certa paralisia biocultural irracional generalizada.
Embora muitos desses atores e atrizes reconheçam de forma obnubilada a paulatina destruição de seus próprios direitos e garantias individuais e coletivas – Constituição 1988 –, não conseguem desvencilhar-se de seus automatismos mentais vivendi e operandi suicidas.
Despretensiosamente, sem o rigor do método hipotético-dedutivo positivista do “realismo epistemológico” utilizado pelo sociólogo e cientista político francês Émile Durkheim (1858-1917), embora se possa utilizar o seu conceito de suicídio altruísta: “é aquele no qual o indivíduo sente-se no dever de fazê-lo para se desembaraçar de uma vida insuportável. É aquele em que o ego não o pertence, confunde-se com outra coisa que se situa fora de si mesmo, isto é, em um dos grupos a que o indivíduo pertence. Temos como exemplo os kamikazes japoneses, os muçulmanos que colidiram com o World Trade Center em Nova Iorque, em 2001, etc”[1], talvez os “tipos ideais” da “realidade infinita subjetiva” do sociólogo, economista e jurista alemão Max Weber (1864-1920) sejam mais oportunos para tentar entender o “autoextermínio” da “classe verde-amarela” pró-Golpe/2016 e coatores do Estado de Exceção atual.
Os “tipos ideais” da “realidade infinita” de Max Weber, objeto da Sociologia para a “construção mental da realidade” apoiam-se nos seguintes “tipos”[2] (...):
1) Ação social racional com relação a fins: a ação é estritamente racional. Torna-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim;
2) A ação social racional com relação a valores: não é o fim que orienta a ação, mas o valor, seja este ético, religioso, político ou estético;
3) A ação social afetiva: a conduta (ação) é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc e
4) A ação social tradicional: a ação é motivada pelos costumes ou hábitos arraigados (irracionais).
Como se vê acima, a ação comportamental na qual se funda o mentalismo dos atores sociais “verde-amarelos”, desde as manifestações pró-Golpe/2016, é eminentemente do “tipo 3”: “A ação social afetiva: a conduta (ação) é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc”, com fortes raízes do “tipo 4”: “A ação social tradicional: a ação é motivada pelos costumes ou hábitos arraigados (irracionais)”, em que a subjetividade do Outro que os governa é herdeira do formato mental crânio-encefálico do Brasil-Colônia, determinante em suas formações sintomáticas.
Assim sendo, a deformação cerebral subjacente à acefalia mental própria aos acuados em face a total destruição atual do Brasil e de si mesmos é fruto tanto histórico-cultural quanto emocional, blindando-os de quaisquer possibilidades de reflexão e da “ação racional” produtiva.
Por isso, nada se deve esperar desses atores programados senão as suas próprias acinesias catatônicas diante do “pesadelo Brasil” em curso.
Mais uma vez, mediante o retrocesso infantil deletério imposto e estagnado em alguns, os atores brasileiros democratas e esclarecidos são chamados a pensar e agir para todos os brasileiros, apesar da força contrária dos kamikazes latino-americanos “verde-amarelados”.
Não é preciso ir muito longe, desde o antigo Império Romano, a História está repleta de exemplos que demonstram claramente que os poderes escusos sempre se assentaram na neuropatia biocultural “irracional” de determinada classe.
Dessa forma, parece que qualquer análise psicossociológica é impertinente ou secundária, o buraco é bem mais fundo, parece atravessar a biologia genética e as fendas sinápticas neuronais.
Agora já é visível o canibalismo automutilatório dos “assassinos-zumbis” da Democracia brasileira.
Contudo, a análise discursiva psicanalítica é de suma importância, conforme as palavras do poeta e psicanalista, José Marcus De Castro Mattos:
"(...) Trata-se da inscrição do Outro (Linguagem/Discurso) no biológico, mas uma inscrição sem 'gap', ou (nos termos de Lacan) sem 'hiância', 'falta', etc. No entanto, é preciso lembrar que o sujeito ($) é 'resposta do real' (cf. Lacan), ou seja, ele se constitui desde a impossibilidade de o Outro (Linguagem/Discurso) se inscrever completamente... Em termos estruturais, tal impossibilidade vale também para os 'verde-amarelos'. (...)
Todavia, parece-me que no caso deles o 'gap' com o Outro é suturado ('costurado, preenchido, tamponado') com os discursos ideológicos que apelam para a emotividade, para os afetos imediatos, etc (a 'pós-verdade' é este apelo)".
Assim, mesmo com as supostas origens determinantes do campo biocultural, faz-se necessário uma abertura para que esse Outro "verde-amarelo" "suturado" em sua cadeia discursiva significante possa advir como sujeito de seu próprio desejo.
É uma aposta que não se deve abandonar jamais...
[1] CABRAL, João Francisco P. - SOBRE O SUICÍDIO NA SOCIOLOGIA DE ÈMILE DURKHEIM, Brasil Escola, http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/sobre-suicidio-na-sociologia-Emile-durkheim.htm
[2] Silveira, Leonardo - EXEMPLIFICAÇÃO DOS TIPOS IDEAIS EM WEBER, Teoria Sociológica 1, https://teoriasociologica1.wikispaces.com/EXEMPLIFICA%C3%87%C3%83O+DOS+TIPOS+IDEAIS+EM+WEBER
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