A incoerência do golpe e o mea culpa dos golpistas
Os anos irão se passar e daqui a dezenas deles, o dia 31 de agosto de 2016 estará registrado nos livros de história, como o dia em que a democracia foi abatida a queima roupa. Sessenta e um senadores votaram a favor do afastamento da presidente Dilma do cargo, enquanto vinte senadores votaram contra o seu impedimento
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Os anos irão se passar e daqui a dezenas deles, o dia 31 de agosto de 2016 estará registrado nos livros de história, como o dia em que a democracia foi abatida a queima roupa. Sessenta e um senadores votaram a favor do afastamento da presidente Dilma do cargo, enquanto vinte senadores votaram contra o seu impedimento.
Dentre esses sessenta e um algozes, dezenove deles, apesar de julgá-la criminosa, decidiram por não inabilitá-la da vida pública por oito anos. Com 42 votos a favor da ilegibilidade, 36 contra e 3 abstenções, decidiu-se que Dilma poderá continuar exercendo cargos públicos. Como se não bastasse toda a pinta que já dava, o golpe resolve sair do armário e se ilustra da forma mais canalha possível, revelando o remorso de alguns senadores. É como se o assassino pedisse desculpas por ter matado a vítima arcando com as despesas do funeral, como se assim estivesse aliviando o sofrimento da mesma e de seus entes queridos.
Ora! Se Dilma Roussef é bandida, criminosa, responsável pela falência do país e pelos 12 milhões de desempregados, segundo as pesquisas de boca de urso que circulam por aí, por que 19 dos senadores que a julgaram criminosa não votaram a favor do seu afastamento da vida pública? Piedade? Benevolência? Misericórdia? Não creio que golpistas possuam esses sentimentos. Se os tivesse, não teriam condenado uma presidente que não cometeu crime.
O remorso é a virtude dos canalhas. Só sente remorso quem cometeu uma injustiça, embora esse sentimento não apague o mal praticado. O remorso é uma espécie de termômetro que serve para o malfeitor aferir o grau de sua própria maldade. Mas deixemos de lado os golpistas. A história se encarregará de descrevê-los no futuro. Voltemos as nossas atenções para o que está por vir.
Vou passar a cronometrar o tempo de permanência do sorriso nos lábios de muitos inocentes úteis, que se aliaram aos usurpadores do poder e clamaram pelo fim da democracia. Embora seja repetitivo, vale a pena relembrar que o golpe não foi contra Dilma, foi contra o povo brasileiro. As consequências virão em breve e eu espero que muitos não se arrependam depois. A ponte para o futuro está prestes a ser inaugurada pelo governo Temer e reconduzirá os menos favorecidos ao passado inglório e sofrido dos tempos da escravatura.
Nesse momento os escravocratas tomam champanhe comemorando a possibilidade de retomada das rédeas, mas se esquecem de que o povo de hoje não é mesmo de ontem e não aceitará retrocessos em sua dignidade. Deve haver resistência a toda e qualquer forma de retirada de direitos trabalhistas. Deve haver resistência a todo e qualquer tipo de mudança nas políticas afirmativas e de inclusão social. As senzalas não comportam mais aqueles que por séculos viveram sob o domínio da casa grande. E não voltaremos para lá. Que fique claro!
Há de se fazer uma oposição implacável ao novo governo e as suas pretensões de atender aos interesses dos banqueiros internacionais em detrimento dos interesses dos trabalhadores brasileiros. Não se faz acordo com golpistas. O interesse deles nunca foi o bem estar comum do povo brasileiro, mas sim os próprios interesses pessoais, sociais e políticos. Vê-los cantando o hino nacional ao término da votação que concretizou o golpe, teve o mesmo sentido que ouvir a Ku Klux Klan entoando "Glória, glória, aleluia!" enquanto atacavam os negros nos EUA.
Em nome da democracia nos resta resistir, até o último golpe.
Viva a resistência!
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