A guerra cultural numa conjuntura fascistizante

Um dos alicerces do novo governo é a disputa ideológica. Esta se dá através da guerra cultural, da disputa de valores capazes de orientar a sociedade no campo dos costumes, criando inimigos e apelando para slogans como "Pátria Amada". O governo Bolsonaro precisa do caos.

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O papel cumprido pela ministra Damares, pelo ministro Vélez Rodriguez e pelo chanceler Ernesto Araújo é fundamental e estratégico para o governo Bolsonaro. Um dos alicerces do novo governo é a disputa ideológica. Esta se dá através da guerra cultural, da disputa de valores capazes de orientar a sociedade no campo dos costumes, criando inimigos e apelando para slogans como "Pátria Amada". O governo Bolsonaro precisa do caos.

A partir daí, declarações como "meninas vestem rosa, meninos vestem azul"; "livrar o país do socialismo" e "chegou a nova era" têm função estratégica: polariza, divide a sociedade entre gatos e cachorros, mantendo a corda esticada, rendendo hashtags e muito engajamento dos dois lados da política nas redes e nas ruas. Com isso, há uma interdição de qualquer debate mais profundo e racional.

Para nós, do campo progressista, em especial o de esquerda, a ideia de resistência na qual se encontra o engajamento da maioria dos formadores de opinião, alguns movimentos sociais, e alguns partidos nada mais é do que insistir numa posição meramente reativa, sendo o anti-alguém ou anti-alguma coisa, abrindo mão de uma disputa mais profunda.

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Um exemplo é insistir com bordões como "Ele não", "Não me representa", "Não é meu presidente" ou "Fora Bolsonaro". Ou mesmo carimbar todos os 57 milhões que votaram no ex-capitão como fascistas. Isto só nos isola. No máximo, cria-se uma nova categoria de entretenimento esquerdista: o da contestação pura e simples.

Num contexto em que boa parte do campo progressista passou a valorizar o identitarismo e o "lugar de fala" como pauta, tende-se a extinguir por completo a existência de lugares imparciais para o diálogo que, na minha opinião, arrebenta a Democracia.

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A guerra cultural importa tanto quanto o entreguismo voraz nos campos econômico e estatal, desde que tenhamos a clareza de que nossa luta seja por um Brasil soberano, democrático e justo para todas e todos.

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