A ferocidade da mídia contra Lula reprisa o jornalismo de guerra à democracia

Luiz Inácio Lula da Silva
Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: José Cruz/Agência Brasil)


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 A ferocidade da mídia contra o recém-iniciado governo Lula atesta o compromisso exclusivo dos veículos com o mercado e revela a incapacidade de se perceberem como elemento central da desestabilização democrática no Brasil. 

O tom agressivo e condenatório, a reprovação de qualquer ato e a falta de noção sobre o período histórico são incompatíveis com o tempo da gestão e recolocam a imprensa como fonte para a perpetuação do extremismo. 

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Esse tratamento esvazia a reflexão vital sobre o estágio de transição do país do fascismo para a democracia e subsidia a criminalização do campo progressista essencial às narrativas golpistas. 

É o reinício de um ciclo nefasto de enganação.

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O Brasil amargou por anos um martírio de mentiras fabricadas pelo extremismo fascista para escravizar parte da população por um projeto doentio de poder.

A distorção da realidade e a pregação de ódio contra os fatos produziram uma horda de alienados dispostos - no ápice da estupidez - a sacrificar a vida em servidão até a delírios golpistas extraterrestres.

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A construção da fantasia extrapolou o ecossistema de desinformação do bolsonarismo e encontrou, na mídia corporativa, o germe da proliferação de narrativas falsas e do discurso de ódio.

A pecha de "Lula ladrão" introjetada e difundida pela extrema-direita, por exemplo, deriva de um conluio editorial para atribuir ao petista a prática e a leniência com a corrupção.

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É uma inverdade factual desmentida pela Justiça e pelo fortalecimento dos mecanismos de combate ao crime no governo Lula, mas propalada por servir à agenda midiática antipetista. 

O bolsonarismo se nutriu da imprudência jornalística e converteu em mantra uma ideia subjacente às manipulações feitas sob medida para o golpe de 2016 e a prisão ilegal de Lula.

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A mídia ignorou por anos a violência verbal e física dos protestos contra gestões petistas e instituiu uma distinção no seio da população brasileira para definir como "normal" quem se opusesse ao governo.

Os manifestantes antigoverno eram tratados como brasileiros, cidadãos, enquanto os favoráveis, tachados de militantes - a matéria-prima para a formulação hipócrita do "cidadão de bem". 

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Ligação com as Farcs, bolivarianismo, dinheiro para Cuba, venezuelização, foro de São Paulo, organização criminosa, associação com PCC - as ideias nucleares do bolsonarismo ecoam essa distorção informativa.

O fascismo sob Bolsonaro e a destruição do Brasil é subproduto desse esquema de enganação baseado no ódio, no antipetismo e na ausência de uma mediação jornalística responsável dos acontecimentos.

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Mas a mídia nada aprendeu com a cultura da estupidez e o naufrágio brasileiro e, agora, no início do novo governo, retoma o expediente da irracionalidade.

Editoriais classificam o ministro da Fazenda como "decorativo", tratam combate à fome como "gastança", balizam políticas sociais pelo mercado, abominam a pluralidade de ideias para insinuar caos sob Lula.

Colonizados pelo antipetismo, sacrificam o bom senso para blindar fascismos e salvaguardar a impunidade. Chamam de "revanchismo" e "caça às bruxas" os crimes de Bolsonaro e se eximem do dever de cobrar punição.  

O ataque se arma dos velhos truques jornalísticos para disfarçar matérias sob orientação patronal: uso de offs, aspas de anônimos, citação de especialistas alinhados aos veículos, ausência do contraditório.

É a formatação de uma narrativa para induzir o senso comum a odiar o governo, apostar na antipolítica e, assim, trocar interesses da coletividade pela pauta econômica opressora e concentradora do mercado.

É perverso esse alinhamento ser ajambrado em meio a escombros de um Brasil arrasado pelo fundamentalismo bolsonarista baseado exatamente no modelo econômico e social preconizado por essa mídia.

O desmonte da máquina pública, a interrupção das políticas sociais, o negacionismo, o empobrecimento dos brasileiros sucedem a guinada neoliberal insuflada pela desinformação dos anos recentes - e sob ampla conivência dos meios de comunicação.

A leviandade midiática na primeira semana do governo Lula prenuncia a reprise do vale-tudo fundador de um ambiente político tóxico à sobrevivência do país.

É o refluxo indesejável de um jornalismo de guerra insalubre para a nossa frágil democracia - quando ele prospera, a vítima é sempre o povo brasileiro.

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