A fatídica comédia de Temer
Temer pode ser considerado o primeiro presidente do Brasil, a apresentar um Stand up Comedy como discurso, em rede nacional. Sob o título de: "Não sei como Deus me colocou aqui", o "espetáculo" teve mais ou menos 15 minutos de duração, mas apesar da curta metragem do show, as risadas foram garantidas
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Que a política brasileira é o maior acervo de piadas prontas do mundo, não há dúvida. Mas nunca imaginei que o nosso atual presidente da república, pudesse ter um talento tão raro para fazer comédia. Além de já ter entrado para a história, como o primeiro presidente da história do país, a ser denunciado por corrupção, em pleno exercício de seu mandato, Michel Temer também expande o seu pioneirismo presidencial para a área do entretenimento.
Após um pronunciamento patético, com o intuito de rebater a denúncia do procurador geral da república, Rodrigo Janot, Temer pode ser considerado o primeiro presidente do Brasil, a apresentar um Stand up Comedy como discurso, em rede nacional. Sob o título de: "Não sei como Deus me colocou aqui", o "espetáculo" teve mais ou menos 15 minutos de duração, mas apesar da curta metragem do show, as risadas foram garantidas. A começar pela cara de espontaneidade dos figurantes, que com ele dividiram o mico, digo, a cena. Entre eles, a deputada Raquel Muniz, aquela mesma que votou a favor do impeachment, dando pulinhos, gritando: "Sim, sim, sim" e elogiando a honestidade do marido, que no dia seguinte àquela sessão, foi preso por corrupção na prefeitura de Montes Claros. Hilário!
Mesmo não abrindo mão de suas habituais e cafonas mesóclises, o presidente intruso aliou o seu vocabulário prolixo, a um surpreendente dinamismo, só antes visto, quando ele e seus comparsas, decidiram usurpar o poder, aplicando um golpe de estado disfarçado de impeachment. Temer contou piadas sobre geração de empregos, crescimento da economia, sobre a sua moral e honestidade, sobre a inveja de seus opositores, sobre estar recolocando o país nos trilhos, sobre as suas reformas escravocratas indispensáveis, sobre o boné de Joesley Batista e outras tiradas de causar inveja aos maiores humoristas do país. E se não saudou a mandioca, acabou por sentar-se sobre ela.
Temer garantiu que nunca teve qualquer envolvimento com ilícitos, se queixou da exposição a qual está sendo submetido, insinuou que Rodrigo Janot teria recebido propina da JBS e classificou como: "ficção", as denúncias feitas contra ele. Se disse orgulhoso por ser o presidente do país e levou a platéia ao delírio, ao dizer que não sabia porque Deus tinha o colocado ali. Eu confesso que precisei tomar um ar, para poder parar de rir. Talvez o pronunciamento de Michel Temer, retrate a sua "Divina Comédia" pessoal, que ao contrário da trilogia poética escrita por Dante Alighieri, perfaz um "itinerário" oposto ao sugerido pela obra original. Paraíso, purgatório e inferno, é o roteiro que vem sendo seguido pelo atual governo e o seu final não será nada feliz. Assim esperamos.
A fatídica comédia de Temer é uma afronta a nossa inteligência e a nossa paciência. A certeza, que ele e seus aliados têm, de que governam uma manada de idiotas, é absoluta. Não existe nenhuma preocupação em evitar as piadas prontas, nem dissimular a falta de vergonha na cara, que pontua todo esse discurso de correção e moralidade. Ela propõe que o povo brasileiro, mesmo sabendo que o país está em meio a um caos institucional, sorria e acredite que os corruptos que tomaram o poder, estão governando em prol do bem estar coletivo. A cara dura do banditismo desse governo, só não é mais constrangedora, do que a passividade daqueles que bateram panela contra a corrupção, diante do escândalo que envolve os golpistas que eles apoiaram. Era esse o país que alguns queriam ter de volta?
Eu duvido que Deus tenha colocado Michel Temer na presidência, mas eu estou ansioso para saber, como ele vai tirá-lo de lá.
Oremos!
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