A estratégia do não-sujeito

O ódio que se alastra é de tamanha eficiência e eficácia que realiza tranquilamente suas rondas de barbaridades mundo afora e auto-imune, lança imediatamente um portentoso discurso que o legitima, que o referenda



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Que terrivelmente interessante! O ódio que se alastra é de tamanha eficiência e eficácia que realiza tranquilamente suas rondas de barbaridades mundo afora e auto-imune, lança imediatamente um portentoso discurso que o legitima, que o referenda.

Verbo sem sujeito; sujeito sem ação; ação impessoalizada, desconexa e desconectada do mundo real. Frases e orações que são capadas e recapadas do seu sentido verdadeiro. Sua lógica é subtraída e detectar, por conseguinte, emissor e receptor da ação é exercício intelectual de dificuldade oceânica.

A partir dessa repulsiva eficácia, gays são assassinados por um homofóbico mas não foram executados pelo imenso ódio e que representa a homofobia como movimento já articulado, sistematizado e progressivo. Camponeses são, da mesma forma, executados por pistoleiros e em serviço de grandes corporações e fazendeiros na escancarada luz do dia mas, imaginem, não foram mortos pelo latifúndio e seu vício eterno de apropriação de terras privadas ou públicas.

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Mulheres são eliminadas cotidianamente por homens que militam mesmo que inconscientemente na causa do patriarcado mas não são trucidadas pelo patriarcalismo quinhentista e que, sobretudo, reina livre e soberbo no Brasil.

O genocídio da juventude negra é realidade viva e ensanguentada em todas as cidades do Brasil e os conservadores afirmam que tal fenômeno nada tem que ver com o velho e crônico ódio secular e que ainda hoje a sociedade nutre contra negros e sua descendência.
Velhos são ignorados e desprezados por uma sociedade de consumo e que tem na juventude seu padrão estético, social e moral. Mas nada disso tem que ver com o amplo movimento de imbecilização perpetrado pela grande mídia contra a gente brasileira.

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Estranho tempo de estranhas estratégias. É o crime perfeito que reconhece o delito porque, ao fim, mares de sangue inocente jorram pelas redes de esgoto mas, por algum passe-de-mágicas, é sangue sem causa, sem motivação ou intenção.

É o tempo dos não-sujeitos. O que fazer? Tirar a roupagem do crime e dos criminosos, expulsar a nevoa da mentira e da dissimulação e aprofundar as lutas por justiça, igualdade e belezas.

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