A estatística perfeita
Tragédia para a ciência política; lástima para os direitos humanos; hecatombe para valores civilizacionais como igualdade, justiça e liberdade e; glória extasiante para a estatística; por fim, saberemos a quantidade exata e precisa de imbecis do país. Região por região, estado por estado, município por município, bairro por bairro
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Pura verdade! Bolsonaro tem várias origens. Não poderia ser diferente. Carácter próprio dos mais danosos fungos e bactérias multiplamente conformadas tal propriedade lhes garante resistências, por exemplo, a medicamentos e tratamentos outros; Bolsonaro é possuidor de igual valência e resiste.
E em definitivo, não é verdade que seja, tão somente, fruto degenerado e corrompido da ditadura de 1964. Seria fácil e simplório defini-lo só por este veio. Diferentemente soube ser e estar no revolto mar da política brasileira e se atualizou.
Medíocre, tacanho e improdutivo é homem-mídia; só funciona com o "on" da câmera ligado; afora isso, o pústula não existe. Carregado de frases de efeito, cheio de simbolismos, useiro de falas impactantes e carregadas de efeitos sonoros foi precisamente assim que se atualizou para uma contemporaneidade matizada pela lógica da pós-verdade (se acredito é porque é verdade!) ao ponto de despontar como possibilidade presidencial para o bananão.
Do mesmo jeito que troca de partidos, camisas de times de futebol ou pede desculpas por absurdos proferidos e anunciados, sobretudo, contra gays e mulheres também se atualiza, se re-compõe, e busca se fazer "novo". Dois momentos de inflexão lhe conferiram a atualidade que o faz brilhar na preferência de parte importante da idiotia nacional.
O primeiro, sem sombra de dúvidas, foram as assim chamadas jornadas de junho de 2013 e que lançou a população às ruas do país pelo fim da corrupção e por reformas do deplorável Estado brasileiro. A esquerda, hesitante como sempre, se perdeu no comando do evento e que passou a ser, imaginem, "manifestação sem liderança", uma jabuticaba azeda dos brazucas. O resultado não poderia ser outro e a direita se apropriou da conjuração.
A segunda passagem de Bolsonaro se deu após as eleições de 2014 e que garantiram a reeleição de Dilma Roussef quando o país fora, como em nenhum outro momento da sua história, severamente submetido a rígido e ininterrupto processo de sabotagem a partir de amplo consórcio de criminosos que incluía ao menos, bandidos travestidos de empresários, a grande mídia, a parcela decisória do judiciário brasileiro, o covil de bandidos do congresso nacional e é claro, tudo sob a batuta indefectível do imperialismo (sim, essa categoria ainda faz muito sentido!) internacional.
É importante considerar que em nenhum destes instantes ou segmentos, Bolsonaro figura como liderança ou com qualquer tipo de centralidade argumentativa, teórica ou analítica. É zero; não é zero à esquerda! É o zero absoluto! É desimportante, insignificante e nulo. Seu destaque está e se dá somente quando se reporta ao barbarismo de 1964 e das suas consequências... Nada além disso!
Como golpeamento é sua praia... Surfou na onda midiática que falaciosamente cobriu o impedimento da presidente da república. Plantou e colheu! As redes sociais, essa info-orgia de dimensões planetárias, a despolitização alucinada do novo eleitorado mais o moralismo punitivista e pernicioso que determina as médias classes do país fizeram os adicionais: Bolso se afirma como possibilidade!
Tragédia para a ciência política; lástima para os direitos humanos; hecatombe para valores civilizacionais como igualdade, justiça e liberdade e; glória extasiante para a estatística; por fim, saberemos a quantidade exata e precisa de imbecis do país. Região por região, estado por estado, município por município, bairro por bairro.
O atlas do cretinismo político brasileiro será o mais preciso e acertado documento dos estudos sociais do país. Ao trabalho! Será, em definitivo, a estatística perfeita.
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