A decisão do governo Temer com relação aos sírios contaria a histórica solidariedade dos brasileiros

A suspensão do acordo de recebermos refugiados sírios é um duro golpe em um povo que mais sofre hoje com as agressões que a Síria vem sofrendo desde março de 2011, quando iniciou o que a imprensa vem chamando de "primavera árabe". Repudiamos essa desastrosa decisão do governo golpista de Michel Temer 



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Há duas semanas, o governo interino de Michel Temer, através de seu "chanceler" José Serra, adotou mais uma medida controversa e impatriótica decisão. Trata-se da suspensão das negociações com a União Europeia para o recebimento de cem mil refugiados sírios em nosso país.

Não vamos aqui tratar das medidas neoliberais adotadas até aqui contra o povo, em especial contra os avanços representados por programas como o Minha Casa, Minha Vida, o FIES, o Pronatec e tantos outros. Pretendo comentar especificamente alguns aspectos da política externa desse governo interino.

A política externa brasileira vem sendo construída há décadas e não se muda em um mês de um governo golpista. Particularmente nos últimos 13 anos dos governos Lula e Dilma, adotamos uma política externa que prioriza a África, o Oriente Médio (mundo árabe) e a Ásia, em especial com a China. Não deixamos de negociar com os EUA e a União Europeia, mas não dependemos desses países para garantir nosso comércio exterior.

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No caso do mundo árabe – que são 22 países e 400 milhões de pessoas – nossa relação passou a ser, a partir de 2003 com a posse de Lula, muito especial. Não nos esquecemos que a primeira viagem ao exterior que nosso ex-presidente Lula fez foi à Síria e ao Líbano. A Síria em especial, do presidente Dr. Bashar Al Assad, que era considerada como "financiadora do terrorismo" (sic) pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. E lá chegando reforçou o convite para que o presidente sírio visitasse nosso país (o que ocorreu tempos depois na primeira visita de um presidente sírio ao Brasil).

A suspensão do acordo de recebermos refugiados sírios é um duro golpe em um povo que mais sofre hoje com as agressões que a Síria vem sofrendo desde março de 2011, quando iniciou o que a imprensa vem chamando de "primavera árabe". Com um dedo claro do imperialismo estadunidense, essa "revolta" no mundo árabe tem sido chamado por eles mesmo de "inverso árabe", tamanhos sofrimentos e danos causados com os ataques do imperialismo aos países árabes. Praticamente destruíram a Líbia e o Iraque e vêm sucessivamente atacando a Síria e o Iêmen.

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No caso sírio, já são cinco milhões de refugiados e deslocados, naquilo que a ONU vem chamando de "a maior crise humanitária" desde a II Guerra Mundial. A Síria não vive uma guerra civil como a mídia, de forma unilateral, faz crer e vem anunciando. A Síria sofre um ataque externo brutal por parte de mercenários e terroristas que se auto-intitulam muçulmanos, armados e financiados pelos Estados Unidos, Arábia Saudita, Turquia e alguns países do Golfo Pérsico e com apoio tático e de inteligência de Israel.

O objetivo claro dessa agressão é uma só: derrubar o legitimo presidente sírio, Bashar El Assad, reeleito inclusive presidente com apoio popular de mais de 80% dos votos válidos, em eleições limpas e democráticas, como atestaram observadores internacionais. Nosso Partido inclusive, se fez presente, com a camarada Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz. Bashar Al Assad resiste ao imperialismo e ao sionismo. Apoia de forma decisiva a causa palestina. Todos os 13 partidos e organizações que são membros da OLP possuem escritório em Damasco. Esta capital árabe foi a que mais recebeu refugiados palestinos desde a guerra de 1967 de expansão de Israel sobre territórios palestinos. A Síria mesmo, nessa guerra, perdeu parte de seu território – as Colinas de Golã – que se encontram ocupadas por Israel até os dias atuais. O PCdoB mantém relações amigas com o povo e o governo da Síria e, inclusive, enviou uma delegação em Missão de Solidariedade ao país em dezembro de 2013.

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Não podemos aceitar mais esse desastre de decisão de um governo ilegítimo. Nosso país, desde 1880, vem recebendo milhares de imigrantes sírios e libaneses e árabes em geral. Ainda que o IBGE não venha consultando a ancestralidade dos brasileiros desde o Censo de 1940, o próprio Itamaraty estima que os descendentes de árabes no Brasil sejam em torno de 10 milhões. Mas, independentemente do número de pessoas, a presença árabe no Brasil é marcante. Na língua – milhares de palavras de nosso alfabeto são de origem árabe –, na cultura (música em especial), na religião (cristãs ortodoxas em geral e islâmica), culinária (quem não conhece o quibe e a esfiha?).

Prestamos aqui nossa homenagem profunda ao povo árabe e aos sírios em particular. Repudiamos a desastrosa decisão do governo golpista de Michel Temer de proibir a entrada de pelo menos cem mil refugiados sírios. Essa atitude jamais contará com o apoio do nosso povo e do nosso Partido.

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