Governo libera defensivos contra Helicoperva

Lagarta antes comum em lavouras de milho, a Helicoperva passou a causar danos significativos em campos de soja e algodão; estimativa é de que a lagarta tenha causado prejuízos de R$ 2 bilhões nas últimas duas safras no Brasil, sendo R$ 1 bilhão apenas na região Oeste da Bahia

Governo libera defensivos contra Helicoperva
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Mariana Caetano, de O Valor Econômico

O Ministério da Agricultura autorizou ontem a utilização de dois produtos biológicos (o vírus VPN HzSNPV, conhecido como Baculovírus, e o Bacillus Thuringiensis, um tipo de bactéria) e três químicos (Clorantraniliprole, Clorfenapyr e Indoxacarbe) no combate à Helicoverpa zea, uma lagarta antes comum em lavouras de milho, que passou a causar danos significativos em campos de soja e algodão.

A estimativa é que a lagarta tenha causado prejuízos de R$ 2 bilhões nas últimas duas safras no Brasil, sendo R$ 1 bilhão apenas na região oeste da Bahia.

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Os produtos autorizados pelo ministério já tinham registro no Brasil, e a extensão de sua aplicação deve ser publicada no Diário Oficial da União entre hoje e segunda-feira, quando estarão liberados para comercialização.

A decisão do governo, que faz parte de um conjunto de estratégias delineadas para conter o avanço da Helicoverpa, abre ainda uma preciosa oportunidade para o mercado de controle biológico. Essa modalidade de combate a pragas já é forte no segmento de cana-de-açúcar há cerca de 30 anos no Brasil, mas ainda incipiente entre os cultivos de grãos.

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Gustavo Herrmann, presidente da Associação Brasileira de Controle Biológico (ABCbio), calcula que esse mercado movimente entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões anualmente no Brasil, com cerca de 80 empresas já em atividade ou em processo de registro, mas o peso do segmento tende a crescer com a intensificação do manejo integrado de pragas, uma das saídas apontadas inclusive pela Embrapa para conter a lagarta. "Seria um controle casado", diz.

O manejo integrado incentiva a ação de inimigos naturais sobre os agressores de uma planta, mas não elimina a necessidade de defensivos químicos, embora reduza a quantidade utilizada. Somente no oeste da Bahia, onde o ataque da Helicoverpa é mais grave, uma lavoura de soja que recebia normalmente oito aplicações de inseticidas, a US$ 100,00 por hectare, passou a custar US$ 200,00 por conta da praga, já que subiu para 15 o número de aplicações. "Num primeiro momento, já seria possível reduzir em 10% essa aplicação de defensivos com os produtos biológicos", afirma Herrmann. O custo giraria em torno de US$ 30 a US$ 50 por hectare.

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Além dos produtos já liberados pelo governo, há outros que ainda aguardam autorização. A subsidiária brasileira da multinacional holandesa Koppert Biological Systems (uma das maiores de defensivos biológicos e polinizadores do mundo) iniciou seus trabalhos em 2011 em Piracicaba (SP), e no ano passado já havia entrado com pedido de registro para o uso do inseto Trichogramma pretiosum contra a Helicoverpa.

Herrmann, que acumula o cargo na ABCBio com o de diretor comercial da Koppert, explica que o Trichogramma pretiosum é uma vespinha, do mesmo gênero da utilizada nas lavouras de cana. Em laboratório, ela é exposta a ovos de Helicoverpa, do qual se alimenta e onde também deposita seus ovos, impedindo a praga de se desenvolver. Depois, cápsulas com ovos da Helicoverpa parasitados pelo Trichogramma são lançadas no campo, onde a vespa nasce, voa, encontra outro ovo da lagarta e volta a parasitá-lo. Isso contribui para reduzir progressivamente a população da lagarta.

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Com o registro do produto em mãos, a Koppert espera atender de 100 mil a 200 mil hectares no país.

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