É melhor ter cautela com a Petrobras
Bradesco Corretora avisa que o reajuste dos combustíveis não resolve todos os problemas da estatal e mantém seu viés negativo para a ação
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Por Lara Rizério, do Infomoney
Com o anúncio feito na última terça-feira (5), de um reajuste inesperado de 5% nos preços do diesel - e que levaram as suas ações para a maior alta diária desde 1999 no pregão seguinte - a Petrobras (PETR3;PETR4) teve o preço-alvo de seus ativos elevados pela Bradesco Corretora. Entretanto, aponta a corretora, mesmo com os ajuste sendo um fator positivo, ele não irá resolver os problemas de geração de caixa da companhia.
Após ter reajustado recentemente o preço-alvo dos papéis preferenciais para R$ 18,70, os analistas Auro Rozenbaum, Bruno Varella e Marcos Dong elevaram o preço-alvo para os ativos para R$ 20,20 - o que configura um potencial de valorização de 11,91% em relação ao fechamento da última quarta-feira (6).
Entretanto, a recomendação para os ativos segue em market-perform (desempenho em linha com a média do mercado), mas com viés negativo, ao considerar a relação preço sobre lucro dos papéis.
Rozenbaum, Varella e Dong afirmam ainda que não esperavam por este ajuste, assim como boa parte do mercado. No último relatório, eles adotaram um cenário bastante conservador para os ativos, não esperando um novo reajuste para os preços de gasolina e diesel em 2013.
Pergunta de US$ 1 bilhão: novos reajustes à frente? Neste cenário, a equipe de análise aponta para uma questão que, segundo eles, vale US$ 1 bilhão: haverá novos ajustes? De acordo com os analistas, a situação tem se tornado cada dia mais imprevisível, uma vez que todas as decisões de preço têm um teor altamente político.
No mesmo sentido, eles seguem sem esperar por um novo ajuste para este ano - tanto para diesel quanto gasolina - em meio ao cenário econômico e político não suportando novas altas, e à aceleração da inflação e com a proximidade das eleições presidenciais.
Diferença de preços diminui, mas continua Após o novo ajuste, a diferença de preços do diesel frente ao mercado internacional caiu de 10% para 6%, calculam os analistas, enquanto os de gasolina seguem em 12%. Contudo, levando em conta os números de volume de 2012 e o reajuste, as perdas da Petrobras devem ser 15%, ou R$ 3,7 bilhões, menores do que os R$ 25 bilhões observados no ano anterior.
Apesar dos reajustes - dois no total realizados em 2013 -, os analistas observam que as diferenças de preços na comparação com o mercado internacional seguem se ampliando, embora não existam regras rígidas para ajustes de preços de combustível local.
"Enquanto, por um lado, a política tem sido bem sucedida em evitar a volatilidade doméstica, o preços do combustível, por outro lado, tem cada vez mais influenciado resultados da Petrobras", avaliam.
Neste ambiente, Rozenbaum, Varella e Dog não veem um cenário para aumento do capital da companhia, apesar de esperarem uma alta adicional de R$ 29 bilhões nas dívidas da petrolífera, mas com uma relação estável entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2,7 vezes.
Portanto, parece que a classificação não está em risco para os próximos 12 meses. "No entanto, estamos preocupados com a possibilidade de um novo leilão no pré-sal, o que poderia trazer um fardo financeiro insuportável sobre a Petrobras", avaliam Rozenbaum, Varella e Dong.
Prêmio para as ações preferencias deve continuar Os analistas não esperam que as ações ordinárias voltem ao patamar de antes da divulgação de menores dividendos em relação aos papéis PN, por acreditarem que a petrolífera seguirá pagando menores valores em 2013.
Vale ressaltar que, na última sessão, as ações PETR3 registraram alta 15,16%, enquanto os papéis PETR4 tiveram alta forte, mas menor, de 9%, em meio às expectativas de que os dividendos fossem reajustados para cima para a classe ON.
Para eles, o pagamento de dividendos iguais para as duas classes de ações requer lucro liquído ultrapassando R$ 44 bilhões em 2013. Com a expectativa de lucro de R$ 27 bilhões no ano, a expectativa é de pagamento de proventos de R$ 1,004 por ação PN e R$ 0,6244 para cada papel ON, uma diferença de 38%.
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