Unifamaz promove congresso de medicina com foco em saúde global na Amazônia

Evento em Belém discutirá os desafios do profissional do século XXI, a soberania sanitária e o papel do SUS em um cenário de disputas geopolíticas



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247 – O Centro Universitário UNIFAMAZ, uma das principais instituições de ensino superior da região Norte, anunciou a realização de seu primeiro Congresso de Medicina, um marco em seus 18 anos de história. Conforme divulgado em veículos como o Valor Econômico e O Globo, o evento está programado para ocorrer entre os dias 10 e 12 de abril de 2026, em Belém do Pará. A iniciativa, que reunirá estudantes, pesquisadores e profissionais da saúde, elegeu como tema central uma pauta de extrema relevância estratégica para o Brasil e para o Sul Global: “Saúde Global e o Profissional do Século XXI”. A escolha de Belém, futura sede da COP30, para sediar um debate desta magnitude, sinaliza a crescente importância da Amazônia como epicentro de discussões que moldarão o futuro não apenas do Brasil, mas do planeta.

Um Marco para a Formação Médica na Amazônia

A realização do primeiro congresso de medicina da Unifamaz, instituição ligada ao Grupo Ceuma, representa mais do que um evento acadêmico; é um gesto político e um passo significativo para a descentralização da produção de conhecimento em saúde no Brasil. Historicamente, os grandes debates sobre políticas de saúde, avanços científicos e modelos de formação médica concentraram-se no eixo Sul-Sudeste, muitas vezes ignorando as realidades e os saberes de outras regiões, em especial da Amazônia. Ao promover um encontro desta envergadura, a Unifamaz posiciona Belém e o estado do Pará como um polo de reflexão crítica sobre os rumos da medicina.

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O local escolhido, o “Espaço Docas — novo centro de eventos da capital paraense”, também é simbólico. Trata-se de uma infraestrutura moderna que reflete o potencial da região para acolher eventos de grande porte, fortalecendo a economia local e projetando a capital paraense no cenário nacional e internacional. Este congresso, portanto, nasce com a vocação de ser um divisor de águas, não apenas para a comunidade acadêmica da Unifamaz, mas para todos os que se dedicam a pensar uma saúde mais justa, equitativa e alinhada às necessidades do povo brasileiro, especialmente das populações que vivem na maior floresta tropical do mundo.

A escolha do tema “Saúde Global e o Profissional do Século XXI” é particularmente oportuna. Em um mundo pós-pandêmico, ficou evidente que a saúde não pode ser tratada como uma mercadoria ou como um assunto restrito a laboratórios e consultórios. Ela está intrinsecamente ligada a questões geopolíticas, econômicas, sociais e ambientais. Discutir saúde global a partir da Amazônia é, portanto, um convite a repensar os paradigmas hegemônicos e a construir novas abordagens que valorizem a soberania nacional e o bem-estar coletivo em detrimento dos interesses de grandes corporações farmacêuticas e da lógica imperialista que ainda permeia as relações internacionais.

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Saúde Global: Para Além da Retórica Neoliberal

O conceito de “Saúde Global” é frequentemente cooptado por uma visão neoliberal que o reduz a parcerias público-privadas, filantropia de bilionários e à abertura de mercados para a indústria farmacêutica. A pandemia de Covid-19 expôs a falácia e a crueldade deste modelo, que resultou em um verdadeiro apartheid de vacinas, onde países ricos acumularam doses enquanto nações do Sul Global eram deixadas para trás. A defesa intransigente de patentes, em nome do lucro, custou milhões de vidas e demonstrou que o mercado é incapaz de oferecer respostas a uma crise sanitária planetária.

Um debate sério sobre saúde global, como o que se propõe em Belém, deve necessariamente confrontar essa lógica. Significa discutir o fortalecimento de sistemas públicos e universais de saúde, como o nosso Sistema Único de Saúde (SUS), que, apesar de todos os ataques e do subfinanciamento crônico, foi a espinha dorsal da resposta brasileira à pandemia. Significa defender a quebra de patentes de medicamentos e tecnologias essenciais, a transferência de tecnologia e o fortalecimento da produção nacional de insumos e fármacos para garantir a soberania sanitária do país. É um tema que toca diretamente na luta anti-imperialista, pois uma nação que não controla sua própria capacidade de cuidar de seu povo permanece vulnerável às pressões e chantagens externas.

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Realizar essa discussão na Amazônia adiciona camadas de complexidade e urgência. A saúde na região está diretamente ameaçada pelo desmatamento, pela contaminação de rios por mercúrio do garimpo ilegal, pela expansão de doenças infecciosas e pelos impactos das mudanças climáticas. A saúde dos povos indígenas, guardiões da floresta, é um termômetro da saúde do planeta. Portanto, falar em saúde global a partir de Belém é falar sobre justiça climática, direitos dos povos originários, e sobre a necessidade de um modelo de desenvolvimento que concilie progresso social com a proteção ambiental.

O Profissional do Século XXI: Compromisso Social e Soberania

A segunda parte do tema do congresso da Unifamaz foca no perfil do “Profissional do Século XXI”. Esta é outra discussão fundamental que desafia o modelo de formação médica vigente, muitas vezes tecnicista, individualista e excessivamente focado na especialização e no mercado privado. O Brasil necessita de médicos com uma formação humanista, crítica e, acima de tudo, com compromisso social. Profissionais que compreendam que a saúde é determinada por fatores como moradia, saneamento, educação, renda e acesso à cultura.

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O profissional do século XXI, especialmente em um país com as desigualdades do Brasil, deve ser um agente de transformação social. Ele precisa estar preparado para atuar no SUS, na atenção primária, nas periferias das grandes cidades, nas comunidades ribeirinhas e nos territórios indígenas. Precisa entender a importância da prevenção e da promoção da saúde, e não apenas do tratamento de doenças. Essa visão se choca frontalmente com a mercantilização do ensino médico, que tem formado profissionais mais preocupados com o retorno financeiro de procedimentos de alta complexidade do que com as necessidades de saúde da população.

O congresso pode se tornar um espaço para debater políticas públicas que incentivem essa formação, como a expansão de programas como o Mais Médicos, que foi crucial para levar atendimento a milhões de brasileiros em áreas desassistidas. A formação deste novo profissional é uma peça-chave para a construção de um sistema de saúde verdadeiramente universal e para a afirmação da soberania nacional, formando quadros capazes de responder aos desafios sanitários específicos do nosso território, com soluções brasileiras para problemas brasileiros.

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Belém como Palco de um Debate Estratégico

A escolha de Belém para sediar este congresso em 2026, um ano após a cidade receber a COP30, a mais importante conferência climática do mundo, é uma decisão estratégica. O evento da Unifamaz pode ser visto como um desdobramento necessário da cúpula do clima, trazendo o debate sobre a crise ambiental para suas consequências mais diretas na vida humana: a saúde. A intersecção entre saúde e meio ambiente será, sem dúvida, um dos eixos centrais das discussões, conectando a pauta global do clima com a realidade local da saúde pública na Amazônia.

Ao promover este encontro, a Unifamaz contribui para consolidar a Amazônia não como um objeto de estudo ou preocupação externa, mas como um sujeito ativo na produção de conhecimento e na formulação de soluções para os grandes dilemas contemporâneos. É uma afirmação de que a inteligência, a ciência e a capacidade de reflexão crítica florescem em todas as partes do Brasil. Em um momento de reconstrução do país e de fortalecimento de suas instituições, iniciativas como o primeiro Congresso de Medicina da Unifamaz são um sinal de vitalidade e esperança, apontando para um futuro onde a saúde seja, de fato, um direito de todos e um pilar da soberania nacional.

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